A semana entre esta segunda-feira (9) e sexta-feira (13) começa com uma das agendas econômicas mais relevantes do mês para os mercados financeiros. Investidores acompanharão uma combinação de dados de inflação, atividade econômica e mercado de trabalho no Brasil e no exterior, além da continuidade da temporada de balanços corporativos.
No Brasil, o foco principal será a inflação. A semana começa com o Boletim Focus do Banco Central e segue com a divulgação do IPCA de janeiro, considerado a inflação oficial do país, além do IGP-10. Também saem indicadores de atividade, como dados de comércio varejista e do setor de serviços, que ajudam a medir o ritmo da economia e influenciam as expectativas para a trajetória da taxa Selic.
Ao mesmo tempo, a temporada de resultados corporativos ganha força. Grandes empresas listadas divulgam números ao longo da semana, entre elas BTG Pactual, Banco do Brasil, Vale, Suzano, Klabin, Usiminas e Raízen. O desempenho dessas companhias pode impactar diretamente o comportamento do Ibovespa, que acumula valorização relevante no ano.
Nos Estados Unidos, as atenções se concentram principalmente nos indicadores de inflação e emprego. O mercado aguarda a divulgação do CPI, índice de preços ao consumidor, e do payroll, relatório oficial do mercado de trabalho. Os dados ganham ainda mais importância após sinais recentes de desaceleração do emprego, já indicados por números mais fracos do relatório JOLTS e da pesquisa ADP.
“Aumentam as expectativas com os números oficiais do mercado de trabalho americano”, observa Francisco Alves, operador de mercado e apresentador do Pre-Market da BM&C News.
Os indicadores são considerados decisivos porque influenciam as decisões do Federal Reserve sobre juros. Resultados acima ou abaixo do esperado podem alterar as projeções para a política monetária dos Estados Unidos e, consequentemente, afetar dólar, bolsas globais e fluxo de capital para países emergentes como o Brasil.
Na Europa, investidores acompanharão a divulgação do PIB preliminar do quarto trimestre da Zona do Euro e do Reino Unido, além de dados de inflação em países relevantes. Já na Ásia, saem indicadores de preços e atividade na China, que costumam impactar diretamente o comportamento das commodities.
Esse ponto é relevante para o mercado brasileiro. O minério de ferro recuou recentemente diante de estoques elevados na China, enquanto o petróleo também registrou queda na semana anterior. A trajetória das matérias-primas influencia principalmente empresas exportadoras e companhias de grande peso no índice acionário.
O fluxo estrangeiro segue como um dos fatores de sustentação da Bolsa. Investidores internacionais continuam compradores na B3 no acumulado do ano, enquanto investidores institucionais domésticos mantêm saída líquida.
Além dos dados econômicos, o mercado monitora o noticiário político e financeiro, incluindo temas envolvendo o sistema bancário e o Banco Central. No cenário internacional, eleições recentes no Japão e em países europeus também entram no radar, ainda que de forma indireta, por seus efeitos sobre expectativas econômicas globais.
A proximidade do Carnaval adiciona um elemento extra de cautela. A B3 ficará fechada nos dias 16 e 17, o que costuma antecipar ajustes de posição e movimentos de proteção.














