Um estudo inédito divulgado pela Levante Investimentos estima como a eleição presidencial de 2026 pode impactar o desempenho do Ibovespa até dezembro do próximo ano, com projeções que variam de 157 mil a 205 mil pontos, a depender do presidente eleito em outubro.
A análise foi elaborada por Flávio Conde, analista CNPI da Levante Investimentos, e parte de uma abordagem quantitativa baseada em dados históricos para identificar quais fatores efetivamente explicaram o comportamento da Bolsa brasileira nos últimos anos.
“A proposta do estudo foi tirar o ruído político da análise e olhar para aquilo que historicamente de fato move o Ibovespa. O presidente importa, mas importa principalmente pela forma como o mercado reage à política fiscal e aos juros de longo prazo”, afirma Conde.
De acordo com o estudo, em um cenário de reeleição do presidente Lula, o Ibovespa poderia recuar para 157 mil pontos. Caso Flávio Bolsonaro vença a disputa, a projeção sobe para 190 mil pontos. Já uma eventual vitória de Tarcísio levaria o índice a 205 mil pontos.
O que move o Ibovespa
Antes de construir os cenários eleitorais, a Levante analisou o comportamento do Ibovespa entre 2015 e 2025, testando sete variáveis que costumam ser associadas ao desempenho do mercado acionário.
Foram avaliados:
fluxo de investidores estrangeiros, variação da taxa Selic, juros de 10 anos dos Estados Unidos, desempenho do S&P 500, presidente do Brasil, dólar, petróleo e minério de ferro.
O resultado mostrou que apenas três fatores apresentaram influência consistente sobre o índice no período:
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Fluxo de investidores estrangeiros, seguido pelo Ibovespa em 73% dos anos;
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Taxa Selic, com correlação em 82% dos anos, o maior percentual observado;
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Bolsa americana (S&P 500), que influenciou o índice brasileiro em 64% dos anos.
“Quando olhamos os últimos 11 anos, fica claro que o Ibovespa responde muito mais a três fatores: fluxo de estrangeiros, juros e Bolsa americana. Variáveis como dólar, commodities ou mesmo o presidente em si tiveram influência bem menor”, diz Conde.
Os demais fatores apresentaram impacto inferior a 38% no período analisado e, por isso, foram descartados da modelagem principal.
Juros de longo prazo antecipam movimentos da Bolsa
Um dos pontos centrais do estudo é a constatação de que o Ibovespa não reage apenas à Selic vigente, mas antecipa movimentos futuros por meio dos juros de longo prazo, especialmente os títulos com vencimento em torno de 10 anos.
“O Ibovespa não espera a Selic cair para subir nem subir para cair. Ele antecipa esses movimentos via juros de longo prazo. Por isso, a reação do mercado ao próximo governo aparece primeiro no Prefixado 2035, e só depois nos preços das ações”, explica o analista da Levante.
Inspirada na prática americana, que utiliza a Treasury de 10 anos como referência para expectativas futuras, a Levante adotou no Brasil o Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2035 como proxy para a taxa de desconto do mercado. A escolha, segundo o estudo, se deve à maior transparência e facilidade de acompanhamento por parte do investidor pessoa física.
Como foi calculado o Ibovespa “justo” para 2026
Para estimar o valor justo do Ibovespa em dezembro de 2026, o estudo utilizou o Modelo de Gordon, metodologia amplamente empregada na precificação de ativos de renda variável.
O modelo considera:
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o nível de dividendos do índice,
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a taxa de crescimento esperada,
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e a taxa de desconto, representada pelos juros de longo prazo.
A partir dessa metodologia, a Levante construiu diferentes cenários para o comportamento dos juros após a eleição, refletindo distintas percepções de risco fiscal, trajetória da dívida pública e credibilidade da política econômica.
Cenário binário para a Bolsa em 2026
Segundo o estudo, o mercado brasileiro caminha para um cenário binário em 2026, no qual a Bolsa será menos influenciada pelo discurso político e mais pela resposta dos investidores à política fiscal esperada do próximo governo.
“A diferença entre 157 mil e 205 mil pontos não está no nome do presidente, mas na percepção de risco fiscal embutida nos juros de longo prazo. É isso que muda o custo de capital e o valuation das empresas”, afirma Conde.













