A sessão deve ser marcada por um ambiente corporativo mais defensivo, diante da ausência de indicadores econômicos relevantes no Brasil e no exterior. Com a agenda macro esvaziada, o noticiário corporativo tende a dividir espaço com o aumento das tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Europa, especialmente em torno da Groenlândia, elevando a aversão ao risco e pressionando setores mais sensíveis ao cenário externo na B3.
No mercado local, os investidores devem adotar uma postura mais cautelosa, ajustando posições com foco em fundamentos, decisões estratégicas, ratings de crédito e movimentos societários, em um pregão guiado majoritariamente por fatores corporativos.
Destaques corporativos: Setor bancário deve sentir o aumento do risco global
No cenário corporativo, o segmento financeiro, tradicional termômetro de fluxo na renda variável, tende a reagir de forma mais imediata ao aumento da incerteza externa. Mesmo com fundamentos preservados, o setor deve permanecer sensível ao humor global.
No noticiário, o Itaú Unibanco deve aparecer como destaque positivo ao figurar como a única empresa brasileira entre as 500 marcas mais valiosas do mundo, segundo o ranking Brand Finance 2026. O banco avançou 20 posições no ranking global, reforçando a força da franquia e o valor estratégico da marca, um fator estruturalmente positivo do ponto de vista corporativo, embora o papel possa enfrentar volatilidade no curto prazo.
Já o Banco do Brasil deve atrair atenção após a decisão do conselho de aprovar payout de 30% para 2026, com oito fluxos de pagamento ao longo do ano. A previsibilidade tende a reforçar o perfil do banco como ativo de renda no universo corporativo, ainda que o setor siga exposto à volatilidade externa.
No caso do Banco de Brasília, a instituição deve permanecer no radar após reafirmar solidez e suficiência patrimonial, afastando riscos de intervenção. O mercado também deve acompanhar eventuais avanços na avaliação de alternativas corporativas para a venda de ativos recuperados no âmbito do caso Master.
No segmento de seguros, a Caixa Seguridade comunicou a nomeação de Luiz Francisco Monteiro de Barros Neto como novo membro do Conselho de Administração, para ocupar vaga existente até a Assembleia Geral Ordinária que analisará as contas de 2026.
O executivo acumula longa trajetória no setor financeiro e no setor público, com passagens por instituições como Banco Pan, Omni Banco, SulAmérica Capitalização e Ministério da Fazenda.
Metais e siderurgia devem seguir sob pressão corporativa estrutural
O cenário corporativo para metais e siderurgia tende a permanecer desafiador. Dados do Instituto Aço Brasil indicam queda de 1,6% na produção de aço bruto em 2025, enquanto as importações avançaram 7,4%, comprimindo margens e competitividade das empresas locais.
No mercado internacional, o minério de ferro deve operar pressionado, após recuar para 789,5 yuan por tonelada, influenciado pela chegada do primeiro carregamento da mina de Simandou à China e pela manutenção dos juros pelo Banco Popular da China (PBoC), o que reforça a percepção de demanda contida no curto prazo.
Nesse contexto, a Vale tende a continuar refletindo a fraqueza da commodity, apesar de o mercado seguir reconhecendo fundamentos corporativos sólidos no horizonte de longo prazo.
Energia e infraestrutura trazem sinais mistos
No setor de energia, a Celesc informou que o consumo total de energia caiu 2,1% no quarto trimestre, na comparação anual, totalizando 7.051 GWh. O dado reforça a leitura de demanda mais fraca no período, o que tende a manter o papel no radar dos investidores.
Já no segmento de óleo e gás, a Petrobras e sua subsidiária Transpetro devem chamar atenção após anunciarem a assinatura de contratos para a construção de cinco navios gaseiros, além de 18 barcaças e 18 empurradores, em três estaleiros brasileiros.
O investimento total previsto é de R$ 2,8 bilhões, reforçando o pipeline de investimentos e a agenda de encomendas no setor naval.
Logística, indústria e construção: foco em números operacionais
No setor de logística, a JSL informou que sua receita bruta somou R$ 2,9 bilhões no quarto trimestre de 2025, o que representa um recuo de 1,4% em relação ao mesmo período de 2024. O dado deve ser analisado à luz do ambiente econômico mais desafiador e da dinâmica de contratos da companhia.
Na indústria, a Marcopolo segue no radar após os acionistas controladores, em conjunto com a Bellpart Participações, alcançarem 55,3% das ações ordinárias, totalizando 249,5 milhões de papéis. Segundo a companhia, as aquisições visam aumentar o fluxo futuro de proventos aos controladores, sem implicar mudanças no controle ou na estrutura administrativa.
No setor imobiliário, a Trisul informou que suas vendas líquidas atingiram R$ 673,6 milhões no 4T25. No acumulado de 2025, as vendas líquidas totalizaram R$ 1,659 bilhão, reforçando a leitura de atividade ainda resiliente no segmento.
Consumo, locação, aviação e ratings corporativos em destaque
No varejo, a Guararapes deve seguir como destaque após a Fitch Ratings elevar, pelo segundo ano consecutivo, o Rating Nacional de Longo Prazo para ‘AA-(bra)’, mantendo perspectiva estável. A agência citou menor alavancagem, geração positiva de caixa livre, eficiência operacional e liquidez robusta como fatores centrais para a decisão.
No setor de locação de veículos, a Localiza informou que a Dynamo Administração de Recursos e a Dynamo Internacional passaram a administrar uma participação equivalente a 11,12% das ações preferenciais, totalizando 4,63 milhões de papéis. Segundo a gestora, o movimento tem caráter exclusivamente financeiro, sem intenção de alterar o controle ou a estrutura administrativa da companhia.
No segmento aéreo, Azul e Gol devem permanecer no radar corporativo diante da proposta da Anac de revisar a Resolução nº 400, com foco na redução da judicialização. O mercado deve avaliar se a mudança pode melhorar o ambiente operacional e reduzir riscos legais no setor.
Eventos corporativos ganham protagonismo no mercado
Diante desse cenário, o pregão deve ser guiado majoritariamente por eventos corporativos, com investidores mantendo postura defensiva e seletiva, atentos à qualidade dos balanços, decisões estratégicas e sinais de governança, enquanto o ambiente externo segue como vetor de risco.













