O Ibovespa teve um pregão histórico nesta quarta-feira (21/01/2026) e registrou a maior alta diária desde abril de 2023, impulsionado por forte apetite ao risco, entrada expressiva de capital estrangeiro e desempenho destacado de ações ligadas ao ciclo doméstico. O principal índice da B3 fechou na máxima do dia, aos 171.969 pontos, com alta de 3,42%, renovando o recorde histórico intraday e também de fechamento.
A última vez que o Ibovespa havia registrado uma valorização superior a esse patamar foi em 11 de abril de 2023, quando o índice subiu 4,29%, em um movimento marcado por alívio nas expectativas de inflação e juros.
O desempenho desta quarta consolida um dos melhores pregões dos últimos anos e reforça a percepção de que o mercado brasileiro voltou de forma mais contundente ao radar global.
Wall Street também sobe e reforça o movimento
O movimento positivo foi acompanhado pelas bolsas americanas, que fecharam em alta e ajudaram a sustentar o apetite global por risco:
-
Dow Jones: +1,21% (49.077,23 pontos)
-
S&P 500: +1,16% (6.875,62 pontos)
-
Nasdaq: +1,18% (23.224,82 pontos)
O avanço em Nova York contribuiu para a manutenção do fluxo comprador em mercados emergentes, em um cenário de menor aversão ao risco e reprecificação de ativos.
Geopolítica ajuda e reduz prêmio de risco
Na avaliação de Leonardo Santana, sócio da Top Gain, parte relevante do movimento está diretamente relacionada a um alívio nas tensões geopolíticas.
“As altas vistas hoje mostram mais conforto dos investidores com uma acomodação da situação geopolítica, em especial com o novo recuo do presidente americano Donald Trump em relação às tarifas de países que têm relação com a Groenlândia”, afirmou.
Segundo o analista, esse recuo ajudou a reduzir o prêmio de risco global e favoreceu a migração de recursos para mercados emergentes.
Fluxo estrangeiro e cenário político sustentam rali
Para Cristiano Henrique Luersen, sócio e assessor de investimentos da Wiser Investimentos, a valorização da Bolsa brasileira desde o fim de 2025 tem um fator central: o fluxo estrangeiro.
“A Bolsa brasileira tem experimentado uma valorização expressiva desde o final de 2025. Há uma grande dependência dessa valorização pelo fluxo estrangeiro significativo ingressando em nosso país”, afirmou.
Segundo Luersen, o ambiente macro global tem favorecido uma saída estrutural de capital da Europa e dos Estados Unidos, em meio ao aumento das tensões geopolíticas e da competição comercial.
“As questões globais macro, em especial geopolíticas, têm promovido uma saída significativa de capital da Europa e dos EUA, distanciando de conflitos e competição comercial exacerbada. Esse movimento de saída para mercados emergentes começou e veio para ficar, devendo consolidar-se ao longo de todo o ano de 2026.”
Na visão do especialista, o Ibovespa reflete diretamente esse processo.
“Nosso Ibovespa reverbera um movimento de captação de capital estrangeiro como motor primário de expansão da nossa Bolsa.”
Luersen destaca ainda que parte do rali também embute expectativas eleitorais.
“Em alguma parte, essa alta atual advém do cenário eleitoral que já está posto no mercado. A expectativa de enfrentamento das eleições pela direita, em condições mais próximas de competição ao favorito atual, leva os mercados a esperar mais equilíbrio nas contas públicas, uma gestão mais austera e um quadro de responsabilidade fiscal elevado.”
Blue chips lideram e sinalizam exposição mais defensiva ao risco
Outro ponto observado pelo assessor da Wiser é o perfil das ações que lideraram o movimento.
“Ao observarmos os papéis que mais subiram hoje, são as blue chips, num movimento de exposição mais responsável ao risco. Bradesco, Itaú, BTG e Banco do Brasil estão entre esses papéis.”
Segundo ele, empresas como Vale e Petrobras também se beneficiaram, mesmo com minério de ferro e petróleo em correção de preços.
No setor de educação, o grande destaque foi Cogna, que liderou as altas do dia.
“Esse movimento ocorre pela qualidade do operacional e pelo ambiente favorável para expansão do fluxo de caixa da companhia.”
Destaques do pregão
Entre os principais destaques do dia no Ibovespa estiveram:
-
Cogna (COGN3): +11,51%
-
Yduqs (YDUQ3): +8,58%
-
Vamos (VAMO3): +7,78%
-
C&A (CEAB3): +7,63%
-
Lojas Renner (LREN3): +5,87%
-
Banco do Brasil (BBAS3): +5,73%
-
Cosan (CSAN3): +5,75%
-
Cemig (CMIG3): +5,31%
-
JBS (BEEF3): +4,76%
-
Itaú (ITUB4): +4,56%













