O Ibovespa encerrou a sexta-feira (18) em queda de 0,41%, aos 185.229,17 pontos, uma perda de 762,86 pontos no dia. Com o resultado, o principal índice da Bolsa brasileira fechou a semana com recuo de 1,06% e interrompeu uma sequência de quatro semanas de valorização. O movimento refletiu tanto a cautela dos investidores no exterior quanto o debate fiscal reaberto no cenário doméstico.
No mercado de câmbio, o dólar comercial subiu 0,11% e terminou cotado a R$ 5,144, depois de duas quedas consecutivas. Já os DIs, contratos de juros futuros negociados na B3, fecharam o dia de forma mista, sem direção única ao longo da curva. O comportamento indica que os investidores seguem divididos sobre o ritmo dos próximos passos da política monetária.
Japão eleva juros ao maior patamar em 31 anos de série
O dia começou agitado na Ásia. O banco central japonês elevou a taxa básica para 1,25% ao ano, o nível mais alto em 31 anos, e sinalizou mudança na condução da política monetária. A decisão era largamente esperada pelo mercado.
Ainda assim, o iene não se fortaleceu como seria intuitivo diante de uma alta de juros. A leitura predominante no mercado é de que o Federal Reserve também endureceu sua política monetária e preservou a atratividade relativa do dólar, o que neutralizou o efeito da decisão japonesa sobre a moeda local. Nesse sentido, o câmbio responde menos ao movimento isolado de um banco central e mais ao diferencial de juros entre as economias.
Por que os juros nos EUA pressionaram as Bolsas globais?
Nos Estados Unidos, os rendimentos dos Treasuries subiram ao longo de toda a curva e esfriaram o apetite por risco durante a maior parte da sessão. Os principais índices de Wall Street oscilaram entre perdas e ganhos e terminaram mistos, com variações pouco expressivas.
Por outro lado, na Europa o efeito foi mais intenso: as Bolsas do continente fecharam em queda firme, pressionadas pela alta dos títulos soberanos. A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, avaliou que o avanço dos rendimentos soberanos é um fenômeno global, e não um problema restrito à zona do euro.
Bolsa Família e conta fiscal esquentam o cenário doméstico
No Brasil, o ambiente ficou mais calmo do que nos dias anteriores, marcados pela crise no Supremo Tribunal Federal e pela divulgação de novas pesquisas de intenção de voto que mostram uma disputa presidencial acirrada.
Enquanto isso, o governo federal anunciou na quinta-feira (17) um reajuste do Bolsa Família, medida que o mercado passou a avaliar pela ótica do custo fiscal em um eventual novo mandato. O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, afirmou que o Ministério da Previdência indicou uma redução de cerca de R$ 11,5 bilhões na projeção de gastos com benefícios neste ano, o que abriria espaço no Orçamento para o aumento.
Petrobras, Vale e grandes bancos puxam o índice para baixo
Entre as ações de maior peso, Petrobras (PETR4) recuou 0,23%, acompanhando mais uma baixa do petróleo no mercado internacional, e Vale (VALE3) caiu 1,53%. O setor financeiro também pesou: Santander (SANB11) perdeu 3,47%, Bradesco (BBDC4) caiu 0,88% e Itaú Unibanco (ITUB4) recuou 0,59%.
Nesse sentido, a exceção relevante foi o Banco do Brasil (BBAS3), que avançou 1,84% e foi a ação mais negociada da sessão. Analistas consideram que o balanço do quarto trimestre será o primeiro grande teste para o papel.
Entre as maiores altas do índice, destacaram-se:
- Yduqs (YDUQ3): +1,83%, após revisão de preço-alvo e avaliação de valuation atrativo
- MBRF (MBRF3): +1,08%, com projeção de valorização ligada ao ciclo de queda da Selic
- Sabesp (SBSP3): +1,04%, vista como oportunidade de compra após a queda recente
- Assaí (ASAI3): +0,49%, impulsionada pela entrada no segmento de postos de combustíveis
Agenda da próxima semana traz ata do Copom e IPCA-15
A semana seguinte promete mais movimento nos mercados, com três indicadores no radar dos investidores:
- Terça-feira (22): divulgação da ata da última reunião do Copom
- Quinta-feira (24): publicação do Relatório de Política Monetária, documento trimestral do Banco Central que detalha as projeções de inflação até o fim de 2028
- Sexta-feira (25): resultado do IPCA-15 de setembro
