
Atualizado às 12h23
O Ibovespa opera em baixa de 0,71%, aos 105.581 pontos nesta quinta-feira (28). O mercado reage a decisão do Copom de aumentar a Selic em 1,5 ponto, para 7,75% ao ano.
As ações da estatal seguem a queda do petróleo e recuam: ON (PETR3) -0,82% (R$ 29,07) e PN (PETR4) -0,38% (R$ 28,58) , enquanto Petrorio (PRIO3) lidera as baixas do índice, com desvalorização de 3,91% (R$ 24,36). Vale e siderúrgicas também sentem a queda de 6,02% do minério de ferro em Qingdao (para US$ 112,65 a tonelada) e operam em baixa.
Os papéis da mineradora (VALE3) perde 0,34% (R$ 74,20), enquanto Usiminas (USIM5) recua 0,92% (R$ 14,06) e CSN (CSNA3) -0,90% (R$ 24,28), Metalúrgica Gerdau (GOAU4) -0,23% (R$ 12,81), mas Gerdau (GGBR4) sobe 0,80% (R$ 27,57).
Os balanços do 3TRI, que vieram melhores que o previsto, ajudam o desempenho do Ibovespa, que é puxado por Ambev (ABEV3), em alta de 8,28% (R$ 16,48), após ter divulgado seu balanço ontem, depois do fechamento do mercado.
O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, fechou ontem em leve queda de 0,05%, cotado a 106.363,10 pontos.
O dólar fechou em baixa de 0,33%, cotado a R$ 5,555.
Cenário interno:
Hoje, os investidores digerem a decisão de ontem do Copom de a Selic, taxa básica de juros da economia, a 7,75% ao ano. O motivo do aumento é por causa dos reflexos do drible no teto de gastos na inflação.
No comunicado, informaram que no próximo encontro havéra uma nova alta de igual magnitude. Ou seja, a Selic deve subir para 9,25% em breve. Com o aumento de ontem, é a primeira vez que a Selic está tão alta desde 2017.
O mercado ainda aguarda a decisão da PEC dos precatórios, que foi adiada para depois do feriado de finados, quarta-feira (03), a ideia era votar hoje, mas os parlamentares fizeram as contas e perceberam que haveria problemas de quórum.
A PEC autoriza o governo a não pagar parte dos precatórios e muda o teto de gastos, a âncora fiscal do país, que proíbe o governo de aumentar suas despesas acima da inflação.
O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) avançou 0,64% em outubro, após cair 0,64% em setembro, informou nesta quinta-feira, 28, a Fundação Getulio Vargas. O resultado ficou acima do teto das estimativas do mercado coletadas pelo Projeções Broadcast, de 0,61%. A mediana da pesquisa indicava alta de 0,30%.
Com o resultado, o IGP-M acumulado em 12 meses desacelerou de 24,86% em setembro para 21,73% em outubro, acima da mediana da pesquisa, de 21,36%. Em 2021, o índice acumula inflação de 16,74%.
Cenário externo:
As bolsas asiáticas encerraram o dia desta quinta-feira (28) em baixa acompanhando o fraco desempenho de Wall Street. Os índices acionários Dow Jones e S&P 500 encerraram os negócios em baixa, enquanto o Nasdaq ficou estável após máximas sucessivas em pregões recentes em função da temporada favorável de balanços corporativos nos EUA. Além disso, outro motivo das baixas foi o Banco do Japão que quis deixar sua política monetária inalterada e também cortar a previsão de crescimento para o atual ano fiscal.
As bolsas europeias operam sem direção única nesta quinta-feira, tendo vários balanços na região. O Banco Central Europeu (BCE) deixou a política monetária inalterada nesta quinta-feira, conforme amplamente esperado, segurando as pontas antes da decisão crucial de dezembro sobre o fim do estímulo de emergência e o retorno da política monetária a um cenário mais normal.
O banco reafirmou seu plano de continuar comprando títulos para fixar os custos dos empréstimos perto de mínimas recordes e também prometeu manter as taxas de juros baixas nos próximos anos –compromisso cada vez mais contestado por investidores céticos quanto à narrativa do BCE de que a alta inflação é temporária.
O BCE há muito argumenta que a atual alta dos preços é passageira e que as pressões inflacionárias subjacentes não são fortes o suficiente para exigir o apoio do banco nos próximos anos.
O encontro aconteceu em meio a preocupações com a inflação acima da meta de 2%, ao mesmo tempo em que outros BCs alertam sobre a pressão de preços mais resistente que o esperado. Na zona do euro, o índice de sentimento econômico surpreendeu com alta em outubro a 188,6 pontos; previsão era de queda a 116,6 pontos. Já a confiança do consumidor caiu -4 em setembro para -4,8 em outubro, confirmado estimativa inicial. A confiança da indústria subiu de 14,1 para 14,2 pontos e a de serviços aumentou de 15,2 para 18,2 pontos.
Os índices futuros de NY indicam abertura em alta das bolsas americanas, com a temporada de balanços na pauta do dia e a primeira leitura do PIB americano no 3TRI. Há pouco, o futuro de Dow Jones estava em alta de 0,25%, o do S&P subia 0,34% e o de Nasdaq +0,58%, antes dos resultados de Apple e Amazon.
Além dos índices futoros, dados sobre o PIB e o desemprego dos EUA saíram. A economia cresceu em seu ritmo mais lento em mais de um ano no terceiro trimestre, com o agravamento das infecções por Covid-19 sobrecarregando ainda mais as cadeias de abastecimento globais e causando escassez de bens como automóveis, o que quase reprimiu os gastos do consumidor.
O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 2,0% em taxa anualizada no último trimestre, informou o Departamento do Comércio em sua estimativa preliminar do PIB nesta quinta-feira. Esse ritmo foi o mais lento desde o segundo trimestre de 2020, quando a economia sofreu uma contração histórica na esteira de medidas restritivas para conter a primeira onda de casos de coronavírus.
Menos norte-americanos estão entrando com novos pedidos de auxílio-desemprego. Essa tendência de melhoria nas condições do mercado de trabalho foi confirmada por um relatório separado do Departamento do Trabalho nesta quinta-feira que mostrou que os pedidos iniciais de auxílio-desemprego caíram em 10 mil, para 281 mil em dado ajustado sazonalmente na semana passada, o patamar mais baixo desde meados de março de 2020.
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Dólar:
O dólar tinha firme alta contra o real nesta quinta-feira, mesma direção da inclinação da curva de juros, horas depois de o Banco Central confirmar aceleração no ritmo de elevação da Selic, enquanto no exterior a manhã era mais negativa para moedas emergentes.
O imbróglio em torno da PEC dos precatórios –com a qual o governo e a equipe econômica contam para financiar mais gastos sociais– pressionava os ativos nesta manhã. A votação na Câmara dos Deputados, que deveria ter sido iniciada ainda na quarta, foi novamente adiada e pode ficar para esta quinta –de toda forma, intensificando as incertezas fiscais.
O dólar à vista subia 1,03%, a 5,6123, às 9h29. Na B3, o dólar futuro de primeiro vencimento ganhava 1,34%, a 5,6135 reais, perto da máxima de 5,6160 reais já alcançada no intradia.
Analistas do Barclays já previam “decepção” para investidores no mercado de câmbio relacionada à decisão do Copom.
“Acreditamos que parte do recente retrocesso do dólar ante o real foi impulsionada pelas expectativas de um aumento maior dos juros (ou seja, aumento do ‘carry’). É provável que o real seja negociado um pouco mais fraco na abertura do mercado, seguindo a queda inicial dos juros (curtos)”, acrescentou o banco em relatório.
Na esteira dos últimos acontecimentos, o Credit Suisse piorou sua estimativa para a taxa de câmbio. “Continuamos pessimistas em relação ao real e revisamos nossa meta para cima de 5,65 reais para 5,80 reais”, disse o banco em nota.
“Ralis do dólar para máximas do primeiro trimestre em torno de 5,88 reais provavelmente encontrarão resistência na forma de intervenção cambial agressiva do BCB”, ponderaram profissionais da instituição.
Na renda fixa, o movimento nas taxas de juros dos contratos de DI apontava aumento de inclinação, com os vencimentos longos em alta, enquanto os vértices de curto prazo cediam após o Bacen promover um aperto monetário menor do que o embutido nos preços dos derivativos.
O spread entre os DIs janeiro 2027 e janeiro 2022 saltava 29,2 pontos-base, com a inclinação perto de 380 pontos-base.
A taxa do contrato para janeiro 2023 –que concentra apostas para os rumos da Selic entre hoje e o fim de 2022– tinha leve alta de 2 pontos-base, suficiente para indicar que o mercado não vê juro terminal mais baixo apesar do endurecimento do ritmo de aperto monetário.
No exterior, um índice de moedas emergentes caía 0,17%, com investidores atentos a decisões de política monetária e a sinais de tensão entre Estados Unidos e China.
Com Reuters e BDM

