O Ibovespa encerrou o pregão desta quarta-feira (11) em leve alta, sustentado principalmente pelo desempenho positivo das ações da Petrobras (PETR4) e de outras empresas ligadas ao setor de petróleo. O principal índice da bolsa brasileira operou com volatilidade ao longo da sessão, refletindo cautela dos investidores diante do cenário externo e das tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Ao final do dia, o índice permaneceu próximo da faixa dos 183 mil pontos, com o mercado acompanhando tanto o avanço das commodities energéticas quanto os desdobramentos do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
Petrobras e setor de petróleo sustentam o índice
Entre os destaques positivos da sessão estiveram as ações da Petrobras e de companhias do setor de óleo e gás, beneficiadas pela alta do petróleo no mercado internacional.
Segundo Nicolas Gass, estrategista de investimentos e sócio da GT Capital, o desempenho dessas empresas foi decisivo para evitar uma queda mais ampla do índice.
“O Ibovespa está em um cenário bastante lateralizado hoje. Se não fosse pela Petrobras e por outras empresas de commodities ligadas ao setor de petróleo, provavelmente estaríamos vendo o Ibovespa em queda, algo semelhante ao que ocorre nos mercados internacionais”, afirma.
Na avaliação do estrategista, o movimento positivo dessas ações não está relacionado a fatores específicos das companhias, mas ao comportamento da commodity.
“Entre as maiores altas do Ibovespa, destacam-se empresas ligadas à dinâmica do petróleo, como a Brava Energia e a própria Petrobras. O movimento não está relacionado a fatores específicos das companhias, mas sim ao produto que elas extraem. Com a alta da commodity, cresce a expectativa de resultados maiores e margens mais folgadas para essas empresas”, explica.
Guerra e petróleo dominam o cenário global
O ambiente internacional segue sendo o principal vetor de volatilidade para os mercados. O avanço das tensões no Oriente Médio, especialmente o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, tem provocado oscilações nos preços de energia e maior cautela entre investidores.
“O principal fator que influencia tanto o mercado brasileiro quanto o exterior, sem dúvida, são as tensões envolvendo a guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã e todos os desdobramentos desse conflito”, afirma Gass.
O fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais para o transporte de petróleo, também segue pressionando os preços da commodity.
“O fechamento do Estreito de Ormuz segue impactando diretamente o fluxo global de produção e transporte de petróleo. Por isso, vemos o preço da commodity subir, ao mesmo tempo em que as bolsas apresentam queda”, diz.
Inflação nos EUA não anima mercados
No radar macroeconômico, investidores acompanharam a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos.
O indicador mostrou inflação de 0,3% em fevereiro, em linha com as expectativas do mercado, mas o dado não foi suficiente para impulsionar os ativos de risco.
“Hoje tivemos os dados do CPI que vieram em linha com o esperado. Mesmo assim, o número não foi suficiente para impulsionar as bolsas, que seguem pressionadas pelos temores em relação à guerra”, explica o estrategista.
Raízen e Pão de Açúcar entre as quedas
Entre os destaques negativos do pregão estiveram ações de empresas em processo de reorganização financeira, como Raízen e Pão de Açúcar.
De acordo com Gass, a situação da Raízen envolve uma recuperação extrajudicial e um elevado nível de endividamento.
“A empresa possui uma dívida bastante elevada, em torno de R$ 50 bilhões. Os programas de reestruturação que vêm sendo discutidos envolvem aportes das controladoras estimados entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões, mas ainda seria necessária uma reestruturação mais ampla”, afirma.
Uma das alternativas consideradas seria a conversão de parte da dívida em participação acionária.
“Uma possibilidade seria transformar parte da dívida em equity. Se, por exemplo, metade do passivo fosse convertida em ações, a dívida cairia de cerca de R$ 50 bilhões para algo próximo de R$ 25 bilhões, reduzindo a alavancagem e dando mais fôlego para a companhia”, explica.
Segundo ele, a empresa ainda tem prazo para apresentar um plano definitivo de reorganização após o processo de recuperação extrajudicial.
Dólar e juros seguem relativamente estáveis
No mercado de câmbio, o dólar encerrou o pregão praticamente estável, cotado a R$ 5,15. Apesar das tensões geopolíticas, o movimento da moeda americana foi moderado ao longo da sessão.
“Com a escalada das tensões vimos o dólar disparar anteriormente, mas hoje ele segue em alta de forma mais moderada. Tanto o câmbio quanto os juros futuros estão relativamente comportados pela falta de novas notícias sobre a guerra”, afirma Gass.
O estrategista lembra que os maiores impactos no câmbio e nos juros ocorreram após o anúncio do fechamento do Estreito de Ormuz e também após mudanças na liderança religiosa do Irã, após os primeiros ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra o país.
Com o cenário internacional ainda dominando o radar dos investidores, os mercados devem continuar reagindo principalmente a novos desdobramentos geopolíticos e ao comportamento das commodities nas próximas sessões.












