O Ibovespa fechou esse último pregão de novembro no azul. Os investidores ficaram de olho nos dados da economia norte-americana, em busca de pistas sobre o fim do ciclo de alta de juros por lá. O resultado da inflação, também divulgado hoje, apresentou números considerados ‘comportados’, levando analistas a começarem a ter certeza de que o ciclo de alta do Fed está encerrado. Ainda, reunião da Opep+ sobre produção de petróleo também ficou no radar e acabou influenciando as empresas do setor.
Segundo análise de Lucas Almeida, especialista em mercado de capitais e sócio da AVG Capital, os dados norte-americanos divulgados hoje são importantes, pois serve de termômetro para decisões do FED sobre juros nos EUA, além de ser um dos indicadores que o BC olha de perto e pauta também a nossa trajetória dos juros por aqui.
O PCE acabou indicando hoje uma desaceleração, porém não no ritmo que o mercado esperava. Apesar disso, acredito que as expectativas de que estamos nos aproximando do fim do ciclo de alta de juros continuam firmes. O CME Group hoje, após divulgação dos dados, projetava uma probabilidade acima dos 42% de um corte nos juros americanos acontecer em março/24, o que é muito positivo e anima os mercados. Esses dados fornecem também ao FED uma margem adicional para ponderar sobre a redução da taxa de juros, sem, contudo, impulsionar significativamente o mercado.
Vejo que a estabilidade observada no PCE, juntamente com outros indicadores econômicos, sugerem que a inflação está se acalmando, mas ainda não no patamar que justificaria uma mudança imediata e significativa na política monetária. Este cenário mantém os investidores em estado de expectativa, monitorando de perto as próximas movimentações do FED, com cuidado.
Juros operam de forma mista hoje justamente refletindo os dados de cenário doméstico. Vértices refletem essa divergência nos dados macro e dados domésticos. Por aqui, a divulgação da taxa de desemprego no Brasil, em linha com o espeado, apontou um mercado de trabalho ainda resiliente e em expansão. Isso tem contribuído, na minha visão, para um aumento nos salários e um crescimento de 0,6% no rendimento médio real em comparação ao mês anterior e de 2,4% desde o início do ano. Os dados recentes do Caged reforçam essa tendência positiva.
Após a expressiva alta de novembro, é normal que o Ibovespa enfrente uma correção, especialmente diante de uma resistência técnica nos 130 mil pontos. As negociações no último mês do ano serão influenciadas por dados macroeconômicos e corporativos. O mercado estará de olho no relatório Payroll dos EUA e se esse dado mostrará resiliência no mercado de trabalho, que poderá influenciar a direção da política monetária do Federal Reserve e pautar o tom do comunicado após decisão do FED sobre as taxas de juros. Mercado também acompanhará de perto o comunicado do Copom no Brasil, em que esperamos por mais uma queda de 0,50 pp.
Entre as altas, temos Embraer, que anunciou um pedido significativo de 25 aeronaves E195-E2 pela Porter Airlines, com um valor estimado de US$ 2,1 bilhões. Este novo pedido aumenta o total de aeronaves encomendadas pela companhia para 75, incluindo opções de compra adicionais. A notícia tem gerado um sentimento positivo no mercado e várias instituições financeiras atualizaram para “compra” sua recomendação para as ações da Embraer e elevando o preço-alvo. Além disso, a empresa apresenta uma boa perspectiva para 2024, e seu valuation atual, que está abaixo da média do setor, sinaliza um potencial atrativo de valorização. Esses fatores juntos reforçam o otimismo em relação ao desempenho futuro da Embraer no mercado.
Entre as quedas, temos Minerva, que enfrentou um 3TRI mais fraco do que o esperado, levando a um ajuste nos números e uma recuperação mais lenta dos preços da carne bovina. O EBITDA projetado para 2024 foi reduzido em 4,5% para R$ 4,2 bilhões, um valor que está abaixo do intervalo histórico e das expectativas para empresas semelhantes no setor. Embora algumas casas de analise veem o preço-alvo das ações a R$ 12, a capacidade da empresa de reduzir sua alavancagem no curto prazo parece ter diminuído, o que pode ser uma preocupação para os investidores.
Confira abaixo o fechamento do Ibovespa e demais índices
- Ibovespa: 127.331,12 (+0,92%)
- S&P 500: 4.568,31 (+0,39%)
- Nasdaq: 14.226,22 (-0,23%)
- Dow Jones: 35.950,33 (+1,47%)
- Dólar: R$ 4,91 (+0,56%)
- Euro: R$ 5,35 (-0,29%)
