O Ibovespa encerrou a semana em terreno positivo, mesmo em meio a sessões marcadas por volatilidade e movimentos mistos entre fatores externos e domésticos. O índice foi sustentado principalmente pelo forte fluxo de capital estrangeiro, que compensou pressões vindas do setor bancário e das commodities metálicas ao longo dos pregões.
Segundo Christian Iarussi, economista, especialista em investimentos e sócio da The Hill Capital, o comportamento do mercado reflete forças opostas atuando simultaneamente. “O mercado brasileiro reflete um movimento misto: de um lado, a recuperação das bolsas em Nova York e a entrada de fluxo estrangeiro ajudam a sustentar o índice; do outro, fatores domésticos seguem pesando”, avalia.
Setor bancário e commodities pressionam o índice
Entre os principais vetores de pressão da semana estiveram as ações do setor financeiro, em especial do Bradesco. O banco divulgou aumento da inadimplência e indicou provisões maiores para 2026, o que acabou impactando negativamente todo o segmento. “O recuo das ações do Bradesco acabou contaminando todo o setor financeiro”, destaca Iarussi.
As empresas ligadas a commodities metálicas também contribuíram para limitar os ganhos do índice. A Vale ampliou as perdas com o recuo do minério de ferro no mercado internacional, além de questões operacionais e regulatórias. “A Vale estende as perdas principalmente por conta do recuo nos preços do minério de ferro no mercado internacional, somado a questões operacionais e a um aumento do escrutínio regulatório e ambiental”, explica o economista.
Cenário externo traz suporte, mas com cautela
No exterior, as bolsas americanas apresentaram recuperação parcial após as perdas recentes, ajudando a sustentar o apetite por risco. No entanto, o movimento foi moderado por preocupações com os elevados investimentos anunciados por grandes empresas de tecnologia. “Nos Estados Unidos, as bolsas sobem tentando se recuperar das perdas recentes, mas o movimento é limitado pelo receio com os investimentos elevados anunciados por grandes empresas de tecnologia”, observa Iarussi.
O câmbio também contribuiu para o desempenho do mercado local. O dólar recuou frente ao real, favorecendo ativos brasileiros. Para o especialista, esse movimento está ligado ao cenário macro norte-americano. “O dólar recua impulsionado por dados mais fracos do mercado de trabalho nos Estados Unidos, que aumentam as dúvidas sobre a força da economia americana e abrem espaço para uma postura mais cautelosa do Fed”, afirma.
Fluxo estrangeiro sustenta a alta semanal
Apesar das oscilações ao longo dos pregões, o Ibovespa conseguiu encerrar a semana em alta, apoiado pelo volume expressivo de recursos externos. Apenas em janeiro, a entrada líquida de capital estrangeiro na B3 superou R$ 26 bilhões, reforçando o suporte ao mercado acionário.
“Apesar da volatilidade ao longo da semana, o Ibovespa caminha para encerrar o período em alta, sustentado principalmente pelo forte fluxo de capital estrangeiro”, destaca Iarussi. Segundo ele, a tendência é que esse movimento continue no curto prazo. “Esse fluxo é apoiado por valuações mais atrativas no Brasil, pela migração global para ativos de mercados emergentes e pela expectativa de início do ciclo de cortes de juros”, completa.
O que fica no radar para a próxima semana?
Para a próxima semana, o mercado deve seguir atento aos dados econômicos dos Estados Unidos, especialmente o relatório de emprego (payroll), além das sinalizações de política monetária no Brasil. “O payroll será fundamental para calibrar as expectativas sobre a política monetária americana e pode gerar volatilidade em juros, câmbio e bolsas”, conclui o economista.
Enquanto isso, no cenário doméstico, as expectativas em torno do Copom e do início do ciclo de cortes da Selic seguem como um dos principais pontos de atenção dos investidores.













