A expectativa de início do ciclo de corte da taxa Selic reacendeu o debate sobre os possíveis impactos no mercado de ações. Dados históricos compilados pela MSX Invest mostram que, nos principais ciclos de afrouxamento monetário no Brasil, o Ibovespa apresentou desempenho positivo nos meses e anos seguintes ao primeiro corte de juros.
Segundo Marco Saravalle, mestre em finanças e estrategista-chefe da MSX, o cenário atual reúne elementos semelhantes aos observados em períodos anteriores. “O corte de juros tem uma chance muito grande de começar em março. Pode até começar antes, mas o cenário base hoje é março”, afirmou.
De acordo com o estrategista, o Brasil não deve sustentar por muito tempo uma das maiores taxas de juros reais do mundo. “Não dá para o Brasil ficar nesse ranking de maior juro real por tanto tempo. A taxa básica precisa começar a cair de forma mais rápida”, disse Saravalle.
Histórico reforça viés positivo para a Bolsa
O levantamento da MSX analisa o desempenho do Ibovespa após o primeiro corte da Selic em ciclos anteriores — como 2003, 2005, 2009, 2016, 2019, 2020 e 2023 — e aponta uma tendência clara de valorização no médio e longo prazo.
Nos ciclos analisados, a média histórica mostra alta de:
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14,2% após três meses,
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26,4% após seis meses,
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34,1% em 12 meses,
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53,6% em 24 meses após o início do corte de juros.
Fonte: MSX Invest
Em episódios mais expressivos, como em 2003 e 2005, a Bolsa acumulou ganhos superiores a 80% e 90% em um horizonte de dois anos após o início do afrouxamento monetário.
“Quando a gente olha os ciclos anteriores, a chance de termos um ciclo de valorização da Bolsa é muito alta”, destacou Saravalle. Segundo ele, embora cada período tenha características próprias, o padrão se repete ao longo do tempo.
Corte de juros tende a ser prolongado
Para o estrategista, outro ponto relevante é a duração desses ciclos. “Nenhum Banco Central começa um ciclo de corte de juros para parar em três ou seis meses. Normalmente são ciclos longos, que duram um, dois ou até três anos”, afirmou.
A projeção da MSX indica que a Selic pode sair da faixa próxima de 15% para algo em torno de 12% ao final do ano, com possibilidade de continuidade do movimento ao longo de 2027, dependendo das condições macroeconômicas e do ambiente político.
“O cenário hoje é de ritmo de corte de juros. Claro que existem incertezas no caminho, como eleições e mudanças no cenário fiscal, mas o ponto de partida é esse”, avaliou Saravalle.
Atenção aos riscos, mas histórico joga a favor
Apesar do otimismo, o estrategista ressalta que investimentos em renda variável envolvem riscos e dependem do perfil do investidor. Ainda assim, o histórico oferece um sinal relevante. “Caso aconteça o que já aconteceu no passado, estamos falando de um cenário médio de valorização superior a 50% ao longo de um ciclo de afrouxamento monetário”, afirmou.
Saravalle reforça que o acompanhamento do cenário é fundamental. “Esse ambiente pode mudar ao longo do tempo, mas é um cenário que pode se repetir. Por isso, é importante se antecipar e entender como isso se encaixa no portfólio”, concluiu.
Veja análise em vídeo:













