O Ibovespa encerrou a semana com ganho de 1,26%, em um movimento marcado por forte volatilidade, renovação de máximas históricas e realização de lucros na reta final. O principal índice da B3 chegou a atingir 186.449,75 pontos na quinta-feira (29), maior nível intraday da história, antes de devolver parte dos ganhos e fechar esta sexta-feira (30) em queda.
A dinâmica da semana foi de rali nos primeiros pregões, impulsionado por fluxo estrangeiro, expectativa mais favorável para o cenário externo e valorização de setores ligados a commodities e consumo, seguida por um ajuste técnico natural após a sequência de altas acumuladas desde o início do mês.
Mesmo com a correção no fechamento semanal, o saldo de janeiro segue amplamente positivo, com o Ibovespa sustentando patamares inéditos e consolidando um dos melhores inícios de ano da série recente.
Realização após sequência de máximas
Para Danilo Coelho, especialista em investimentos e MBA em Finanças pela FBNF, o movimento da semana deve ser lido como parte de um ajuste normal do mercado após o rali recente. “Hoje a gente está vendo um ajuste da alta recente do Ibovespa. Nas últimas semanas, a bolsa tem subido bastante e hoje pode ser só um movimento de curto prazo de saída do índice”.
Na avaliação do analista, a leitura mais ampla do mercado segue construtiva, especialmente diante das expectativas para a política monetária americana e seus efeitos sobre ativos de risco. “Existe essa expectativa no curto prazo de que vem uma política um pouco mais frouxa monetária no geral e isso pode acabar beneficiando, principalmente, ativos de risco”, ressalta Coelho.
Exterior, juros e commodities
Ao longo da semana, o mercado também reagiu à indicação de Kevin Warsh por Donald Trump para a presidência do Federal Reserve, interpretação que foi vista de forma relativamente neutra a positiva pelos investidores, reduzindo temores de conflito institucional e abrindo espaço para apostas em um ciclo monetário menos restritivo nos Estados Unidos.
Esse cenário favoreceu a migração de capital para mercados emergentes e ajudou a sustentar o fluxo para a bolsa brasileira nos primeiros dias da semana.
Apesar do ajuste no fechamento, a leitura consolidada da semana é de fortalecimento estrutural do índice. O Ibovespa não apenas renovou recordes, como passou a operar em um novo patamar técnico, acima dos 180 mil pontos, com liquidez elevada e participação relevante de investidores estrangeiros.
O comportamento recente reforça o perfil de rali de janeiro, sustentado por melhora no cenário externo, expectativa de juros mais baixos ao longo de 2026 e reprecificação de ativos brasileiros diante do diferencial de crescimento e retorno frente a mercados desenvolvidos.
A correção desta sexta-feira, portanto, aparece mais como uma pausa dentro de uma tendência positiva do que como sinal de reversão no curto prazo.













