O noticiário corporativo desta semana reúne uma série de movimentos relevantes envolvendo empresas listadas na B3 e companhias internacionais, com destaque para leilões de ações, pagamento de proventos, ajustes de estrutura, novas parcerias estratégicas, emissões de dívida e operações de M&A.
Ao mesmo tempo, o pedido de recuperação judicial do Grupo Elétron reacende discussões sobre o risco de crédito no setor de comercialização de energia.
Destaques corporativos: Engie e União Pet
A Engie Brasil, concluiu o leilão de 72.483 ações oriundas de frações de bonificação, arrecadando R$ 2,21 milhões ao preço médio de R$ 30,57 por papel. Os recursos obtidos com a operação serão repassados aos acionistas no dia 30 de janeiro de 2026. O evento é considerado neutro e de caráter estritamente operacional, sem impacto material sobre a estrutura de capital da companhia.
No setor de varejo pet, a União Pet (AUAU3) realiza nesta semana o pagamento de R$ 0,7110 por ação aos ex-acionistas da Petz, totalizando R$ 320,8 milhões. A distribuição faz parte do cronograma da operação de fusão com a Cobasi e representa uma das etapas finais do processo de reorganização societária entre as companhias.
Ajustes, parcerias e M&A no radar
Já a Celesc (CLSC3/CLSC4) aprovou um Plano de Desligamento Incentivado (PDI) voltado para até 340 empregados, com impacto financeiro máximo estimado em R$ 40,86 milhões. Além disso, o conselho da companhia autorizou a venda de 32,5% de participação na Rondinha Energética. As medidas fazem parte de um processo de ajuste de estrutura e reforço da disciplina financeira da estatal catarinense, em linha com a busca por maior eficiência operacional.
Outro destaque no noticiário é o Grupo Multi (MLAS3), que firmou parceria estratégica com a Sennheiser e passou a atuar como distribuidor master exclusivo da marca no Brasil nos segmentos de áudio profissional e comunicação corporativa. O movimento amplia o portfólio B2B da companhia e reforça sua estratégia de diversificação em soluções tecnológicas para o mercado corporativo.
No exterior, a Capital One anunciou um acordo para adquirir a fintech Brex por US$ 5,15 bilhões. A operação fortalece a presença da instituição no segmento de serviços financeiros para empresas, especialmente em soluções de gestão de despesas e meios de pagamento corporativos, em um mercado cada vez mais competitivo entre bancos tradicionais e plataformas digitais.
Crédito e energia no radar corporativo
O principal ponto de atenção, no entanto, vem do setor de energia. O Grupo Elétron entrou com pedido de recuperação judicial, com passivo estimado em R$ 1,1 bilhão. A companhia atribui a decisão a uma crise sistêmica no mercado de comercialização de energia, marcada por volatilidade de preços, inadimplência e dificuldades de financiamento. O caso acende um alerta relevante para o risco de crédito no setor, que vem sendo pressionado por mudanças regulatórias e por um ambiente de maior instabilidade financeira.
A Movida anunciou a 25ª emissão de debêntures, no valor de R$ 400 milhões, com custo de DI + 2,40% ao ano. Os recursos serão destinados a fins corporativos e à gestão de passivos, em linha com a estratégia da companhia de alongar o perfil da dívida e otimizar sua estrutura de capital em um cenário de juros ainda elevados.
Imobiliário e sistema financeiro no radar
Entre os destaques adicionais do noticiário local, a MRV concluiu a venda de terrenos nos Estados Unidos por US$ 18,3 milhões, operação cujo impacto já havia sido refletido em impairment nos balanços anteriores, sem efeito relevante sobre o resultado.
Já o tema envolvendo as operações entre Banco Master e Banco de Brasília (BRB) segue no radar do mercado, após o Banco Central exigir uma provisão de R$ 2,6 bilhões do BRB. Até o momento, analistas avaliam que não há sinais de contágio sistêmico, embora o episódio continue sendo monitorado de perto.














