O dólar voltou ao patamar pré-pandemia nesta terça-feira (27) e fechou no menor nível desde julho de 2019, enquanto o Ibovespa manteve o rali e renovou tanto a máxima intraday quanto a máxima de fechamento. Em um pregão marcado por forte entrada de capital estrangeiro e maior apetite ao risco global, a moeda americana encerrou o dia em R$ 5,2067, em queda de 1,38%, e o principal índice da B3 avançou 2,02%, aos 182.325 pontos, após tocar 183.359 pontos ao longo da sessão.
O movimento reflete um ambiente global mais favorável ao risco, em meio à expectativa pela decisão do Federal Reserve nesta quarta-feira, além da leitura mais fraca do IPCA-15 no Brasil, que reforçou apostas em queda de juros já a partir de março.
Segundo Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Fórum Investimentos, a alta da bolsa é resultado de uma combinação de vetores externos e internos. “A bolsa sobe por uma combinação de fatores. Lá fora, a possibilidade de que o comunicado da decisão do Fed amanhã — para a qual se espera manutenção dos juros — traga sinais de que um novo corte na taxa de política monetária está próximo, é combinada à temporada de balanços, que traz principalmente expectativas otimistas em relação às empresas de tecnologia”, diz.
O movimento tem impulsionado as bolsas globais, especialmente a Nasdaq, além do S&P 500 e dos principais índices europeus, criando um pano de fundo positivo também para os mercados emergentes.
Dólar opera abaixo de R$ 5,20 e atinge menor nível desde 2019
No mercado de câmbio, o dólar à vista voltou a cair com intensidade e chegou a operar abaixo de R$ 5,20 por alguns momentos, em mais uma sessão marcada pela forte entrada de capital estrangeiro, especialmente em direção aos ativos de renda variável.
A moeda oscilou entre R$ 5,1987 e R$ 5,2780, encerrando o dia em R$ 5,2067, com baixa de 1,38%. No mercado futuro, às 17h01, o dólar para fevereiro recuava 1,49%, negociado a R$ 5,2095.
O movimento foi acompanhado por uma desvalorização generalizada da moeda americana no exterior. O índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de moedas fortes, caiu 0,85%, aos 96,214 pontos.
O euro avançou 0,83%, para US$ 1,1976, enquanto a libra subiu 0,76%, para US$ 1,3781. Já o dólar recuou 0,93% frente ao iene, para 152,70.
Investidores também monitoraram o risco de um novo shutdown do governo dos Estados Unidos a partir do próximo sábado, fator que contribuiu para pressionar a moeda americana nos mercados globais.
Commodities, bancos e cíclicas lideram ganhos
O avanço do Ibovespa foi disseminado, com destaque para ações ligadas a commodities, setor financeiro e empresas sensíveis à atividade econômica e aos juros.
A expectativa de cortes na taxa básica favoreceu especialmente o setor de energia. Petrobras figurou entre os destaques do pregão, impulsionada pelo movimento do petróleo no mercado internacional.
No segmento de mineração e siderurgia, Vale se recuperou das perdas da sessão anterior, enquanto CSN ganhou força com a evolução do plano de desalavancagem da companhia. “Expectativa de novos cortes de juros favorecem as commodities, principalmente o petróleo, reverberando fortemente nas empresas do setor, com destaque para a Petrobras. A Vale se recupera do tombo de ontem, enquanto a CSN mostra firme valorização”, afirma Perri.
Já entre os papéis mais sensíveis ao ciclo econômico, o dia foi positivo para construtoras, locadoras de veículos e varejo. “Segmentos cíclicos, mas sensíveis à atividade econômica e às taxas de juros, também se favorecem hoje. Incorporadoras como Cyrela e MRV, além do setor de locação de veículos, sobem. No varejo, Assaí e Lojas Renner se destacam.”
Maiores altas do dia
Entre os destaques positivos do pregão, figuraram:
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Raízen (RAIZ4): +13,25%
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Yduqs (YDUQ3): +7,68%
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CSN (CSNA3): +7,13%
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Assaí (ASAI3): +6,08%
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Cyrela (CYRE3): +6,63%
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Cyrela Pref. (CYRE4): +5,62%
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Cury (CURY3): +4,18%
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Gerdau Metalúrgica (GOAU4): +3,67%
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BTG Pactual (BPAC11): +2,81%
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Bradesco (BBDC4): +2,73%
Frigoríficos na contramão
Na ponta negativa, o setor de frigoríficos destoou do restante do mercado, pressionado por incertezas no comércio exterior. “Os frigoríficos caem devido a receios quanto às exportações para a China, por restrições tarifárias vindas do gigante asiático”, explica Perri.













