O noticiário corporativo desta sessão traz movimentações relevantes em ações de companhias dos setores de saneamento, energia, aviação e commodities, com impacto direto na precificação dos ativos e no radar do investidor.
O principal destaque fica para a Copasa (CSMG3). O conselho de administração aprovou o envio à assembleia da proposta de reforma do estatuto para criação de uma golden share de titularidade exclusiva do Estado de Minas Gerais, no contexto do processo de privatização da companhia. A medida está condicionada à liquidação de uma oferta pública secundária de ações, sem parcela primária.
Pelo modelo apresentado, caso não haja investidor estratégico, o Estado poderá vender 100% de sua participação na empresa. Com a entrada de um investidor de referência, o governo poderá manter 5% do capital, enquanto o investidor estratégico poderá deter até 30% das ações. Os recursos obtidos com a venda serão destinados ao pagamento da dívida de Minas Gerais com a União. Para o mercado, a criação da golden share preserva direitos estratégicos do Estado e tende a reduzir incertezas regulatórias, fator considerado positivo para as ações da companhia.
Ações do setor elétrico no radar do mercado
No setor elétrico, as ações da Neoenergia (NEOE3) também estiveram no radar após a empresa confirmar o pagamento de dividendos intermediários aprovados em dezembro de 2025. O valor total distribuído será de R$ 984 milhões, equivalente a R$ 0,8106790501 por ação, com pagamento previsto para o dia 9 de fevereiro de 2026. Terão direito aos proventos os acionistas posicionados até 30 de dezembro de 2025, com as ações negociadas ex-dividendos desde 2 de janeiro. O fluxo previsível de proventos reforça o perfil defensivo das ações do setor elétrico.
A Vibra Energia (VBBR3) informou a realização do leilão de 25.609 ações oriundas de frações de bonificação. O preço por ação foi de R$ 29,0931, totalizando valor líquido de R$ 744,3 mil. O crédito aos acionistas ocorrerá em 5 de fevereiro de 2026. O evento é considerado técnico e sem impacto estrutural para a precificação das ações da companhia.
Já a Cemig (CMIG4) concluiu, por meio da Cemig GT, a aquisição da Empresa de Transmissão Timóteo-Mesquita (ETTM) por R$ 30 milhões. Os ativos possuem Receita Anual Permitida (RAP) de cerca de R$ 6 milhões e incluem linhas de transmissão e subestação em 230 kV no Vale do Aço, em Minas Gerais. A operação reforça a estratégia da companhia de expansão em ativos regulados, com maior previsibilidade de caixa, fator que tende a sustentar a tese de investimento nas ações da Cemig.
Viveo e CBA
Na Viveo (VVEO3), a GIC Private Limited reduziu sua participação acionária para 4,927%, equivalente a aproximadamente 15,9 milhões de ações. A gestora informou que a operação não altera o controle nem a gestão da empresa, sendo interpretada como um movimento financeiro, sem mudança relevante de governança.
O evento mais transformacional do dia, no entanto, envolve as ações da Companhia Brasileira de Alumínio (CBAV3). A Votorantim firmou acordo para vender 68,5% do capital da empresa à Chinalco e à Rio Tinto, por R$ 4,68 bilhões. O preço base da transação é de R$ 10,50 por ação, sujeito a ajustes e aprovações regulatórias, incluindo Cade, órgãos antitrustes internacionais, Aneel e CCEE.
OPA da CBA e da Gol
Como consequência da venda de controle, será realizada uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) obrigatória para os acionistas minoritários, com possibilidade de fechamento de capital após a conclusão do processo. Para o mercado, trata-se de um evento com assimetria relevante, já que a OPA pode destravar valor para os minoritários, a depender dos termos finais.
Por fim, as ações da Gol (GOLL54) também estiveram no foco após a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) aprovar o registro da OPA de ações preferenciais, em função da saída da companhia do Nível 2 de governança da B3. O preço da oferta será de R$ 11,45 por lote de mil ações, com leilão marcado para o dia 19 de fevereiro de 2026. A operação é considerada um evento de governança, e a decisão do investidor envolve avaliar o preço oferecido, a liquidez do papel e a estratégia da empresa após a OPA.

