O BTG Pactual suspendeu a captação para títulos de emissão primária do Banco Master. A medida teria sido implementada há algumas semanas, conforme fontes internas do próprio banco de investimentos revelaram com exclusividade à BM&C News. Essa decisão surge em um contexto de crescente polêmica envolvendo a negociação de títulos do Banco Master, especialmente após uma série de repercussões negativas e desconfianças no mercado financeiro sobre a solidez da instituição.
Internamente, o BTG tem afirmado que a suspensão aconteceu porque a captação dos títulos já tinha alcançado o limite de recursos estipulado. Ou seja, que havia uma quantidade limitada de títulos disponíveis para negociação no mercado e que todos eles foram vendidos. Por isso, apenas os títulos secundários estariam disponíveis na plataforma.
Na negociação de títulos CDB primários, os investidores compram diretamente do banco emissor, geralmente durante a oferta inicial, aplicando seus recursos em novos títulos. Já no mercado secundário, a negociação ocorre entre investidores que compram e vendem títulos já emitidos, permitindo a liquidez antes do vencimento, mas com preços influenciados pelas condições de mercado.
Em nota, o BTG Pactual esclarece que não “suspendeu” nenhuma captação para títulos do Banco Master. Assim como em outras ofertas de distribuição, os títulos tem estoque limitado e a captação se encerra ao atingir o limite.
Na semana passada, o Bradesco emitiu um comunicado interno sobre a suspensão da negociação de novos títulos do Banco Master também no mercado primário, informando que a venda dos papéis seria pausada. No entanto, o comunicado ressaltava que a negociação no mercado secundário continuaria normalmente. Contudo, após ampla repercussão e exposição do caso pela BM&C News, o Bradesco voltou atrás e manteve as operações de compra e venda dos títulos.
A situação causou apreensão entre diversos investidores, que, preocupados com a segurança de seus investimentos, procuraram realizar resgates antecipados, especialmente de valores acima do limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A movimentação gerou um deságio expressivo no valor dos papéis, resultando em perdas para alguns investidores que decidiram sair do investimento, mesmo com a penalidade.
A corrida para saída dos títulos do Banco Master reflete o nervosismo do mercado em relação à instituição. Com o ambiente de incertezas ainda elevado, especialistas recomendam cautela e monitoramento próximo de novos desdobramentos, uma vez que a manutenção da negociação no mercado secundário não eliminou as dúvidas sobre a capacidade do Banco Master em honrar seus compromissos.
Em julho deste ano, dois gerentes da Caixa Econômica Federal foram destituídos de seus cargos após se oporem à compra de R$ 500 milhões em letras financeiras do Banco Master. A operação classificada como “atípica” e “arriscada” pela própria área de renda fixa da Caixa Asset.
O parecer técnico teria considerado o modelo de negócios do Master de difícil compreensão e com alto risco de solvência.
A área técnica do Tribunal de Contas da União fez uma análise sobre o movimento na Caixa Asset e concluiu que o banco falhou nas diligências realizadas para analisar a compra de R$ 500 milhões em papéis do Banco Master.
“Os motivos alegados para a dispensa dos gerentes podem não refletir os reais fundamentos da decisão, logo, não é possível descartar a hipótese de represália”, avaliou o TCU.

