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Brent recua para US$ 105 com possibilidade de negociações entre EUA e Irã

O petróleo Brent recuava mais de 1% nesta sexta-feira (25), depois de uma forte alta na sessão anterior, enquanto investidores avaliavam a possibilidade de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã.

Por volta das 11h03, no horário de Brasília, os contratos futuros do Brent caíam 1,1%, a US$ 105,46 por barril. O petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, também recuava 1,1%, para US$ 93,56 por barril.

O movimento acontece depois de uma sessão de forte valorização. Na quinta-feira (24), o Brent subiu 3,4% e fechou a US$ 106,60, enquanto o WTI avançou 2,7%, para US$ 94,61.

Por que o petróleo está caindo hoje?

A principal pressão sobre as cotações vem da expectativa de que Estados Unidos e Irã possam avançar em um entendimento diplomático.

As negociações ganharam atenção do mercado depois de sinais de que Teerã poderia aceitar a reabertura do Estreito de Ormuz caso Washington reduza a pressão militar e retire restrições sobre portos iranianos.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta semana que as conversas com o Irã continuam e que acredita na possibilidade de um acordo.

A perspectiva de redução das tensões diminui, ao menos parcialmente, o prêmio de risco incorporado aos preços do petróleo.

O que mantém o Brent acima de US$ 100?

Apesar da queda nesta sexta-feira, o Brent continua sendo negociado acima de US$ 100 por barril.

O mercado permanece atento aos riscos de interrupção da oferta no Oriente Médio, especialmente depois de novos ataques dos houthis contra a Arábia Saudita.

Na quinta-feira, um ataque com míssil contra território saudita voltou a aumentar as preocupações com possíveis impactos sobre a produção e as exportações da região. Esse movimento ajudou a levar o Brent a uma máxima próxima de US$ 107 durante a sessão.

A Arábia Saudita é um dos maiores produtores e exportadores de petróleo do mundo, e qualquer ameaça à infraestrutura energética do país costuma gerar reação imediata nas cotações internacionais.

Estreito de Ormuz segue no centro das atenções

Outro ponto importante é o Estreito de Ormuz, passagem estratégica para o comércio mundial de petróleo.

O Irã sinalizou disposição para reabrir completamente a rota caso haja avanço diplomático com os Estados Unidos. A proposta envolve redução da pressão militar americana e mudanças nas restrições impostas ao país.

A possibilidade de normalização do fluxo pelo estreito contribui para reduzir o temor de restrições à oferta global.

Ainda assim, as negociações permanecem abertas, e não há até agora um acordo definitivo entre Washington e Teerã.

O que o movimento do Brent significa para o Brasil?

As oscilações do petróleo internacional têm impacto direto sobre o mercado brasileiro.

O preço do Brent é uma das referências utilizadas para avaliar a competitividade dos combustíveis vendidos no país e influencia os valores de derivados importados, como diesel e gasolina.

Uma queda sustentada do petróleo tende a reduzir a pressão internacional sobre os combustíveis. Por outro lado, níveis próximos ou acima de US$ 100 continuam mantendo elevados os custos de importação e a atenção sobre eventuais diferenças entre preços domésticos e internacionais.

O comportamento do Brent também é acompanhado de perto pelos investidores da Petrobras, já que a cotação do petróleo influencia receitas, margens e geração de caixa da companhia.

Petróleo segue volátil com guerra e diplomacia

O mercado de petróleo passou por forte volatilidade nos últimos dias.

No início da semana, o Brent chegou a recuar para perto de US$ 100 diante da expectativa de avanço diplomático entre Estados Unidos e Irã e de melhora nas exportações sauditas.

Já na quinta-feira, novos ataques contra a Arábia Saudita inverteram o movimento e provocaram uma alta superior a 3%.

Nesta sexta-feira, a expectativa de negociação voltou a ganhar peso, levando os preços novamente para baixo.

O cenário mantém o mercado dividido entre dois fatores: de um lado, o risco de interrupções na oferta do Oriente Médio; de outro, a possibilidade de um acordo que reduza as tensões na região.

Plataforma de petróleo em operação no mar, acompanhada por uma embarcação de apoio.
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil