A B3 anunciou nesta terça-feira (10) o lançamento do Índice de Letra Financeira S1 DI B3 (ILFS1 B3), o primeiro indicador da bolsa brasileira dedicado exclusivamente ao mercado de Letras Financeiras. O objetivo é estabelecer uma referência de avaliação e comparação do desempenho desses títulos emitidos por instituições financeiras.
O índice acompanha o desempenho médio das emissões seniores e subordinadas feitas por bancos classificados no segmento S1 do Banco Central, grupo que reúne as maiores instituições do sistema financeiro nacional. A proposta é oferecer ao mercado uma métrica específica para acompanhar títulos indexados ao DI acrescido do spread bancário.
Com a novidade, o conjunto de índices de renda fixa da B3 passa a contar com 12 indicadores, incluindo referências para títulos públicos, crédito privado e debêntures. Na prática, o novo índice cria um termômetro próprio para instrumentos de captação bancária dentro do mercado de renda fixa.
Letras Financeiras na B3: um mercado em expansão
As Letras Financeiras são títulos de renda fixa utilizados pelos bancos para captação de recursos de longo prazo. Segundo dados da própria bolsa, o estoque desses papéis atingiu R$ 976,8 bilhões em 2025, alta de 24% em relação a 2024, crescimento que ajuda a explicar a criação de uma referência específica para o segmento.
De acordo com Hênio Scheidt, gerente de Produtos da B3, o indicador amplia a transparência do mercado.
“O índice passa a atuar como referência para uma categoria importante dentro do universo de crédito bancário, oferecendo ao mercado uma métrica para acompanhar títulos DI + o spread emitido pelos maiores bancos do país”, afirmou.
Como funciona o índice
O ILFS1 B3 considera tanto a variação de preços dos ativos quanto os rendimentos ao longo do tempo. A carteira teórica possui prazo médio superior a 720 dias e é rebalanceada mensalmente para refletir mudanças no estoque de títulos.
Para integrar o índice, os papéis precisam cumprir três critérios principais:
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serem emitidos por instituições financeiras do segmento S1;
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ter remuneração atrelada ao DI acrescido de spread;
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possuir vencimento mínimo de 30 dias corridos.
A ponderação dos ativos é feita pelo valor de estoque depositado na B3. Os rebalanceamentos ocorrem no quinto dia útil de cada mês e ajustes são realizados para garantir prazo médio mínimo de 800 dias na data de atualização.
A expectativa do mercado é que a referência facilite a comparação de desempenho entre emissões bancárias e aumente a transparência do crédito privado, aproximando esse segmento do nível de acompanhamento já observado nos títulos públicos.












