A agenda econômica hoje, quinta-feira (5) concentra eventos relevantes no Brasil e no exterior, com destaque para indicadores de emprego nos Estados Unidos, divulgação da balança comercial brasileira e novos sinais de tensão política que seguem no radar dos mercados.
Para investidores, o foco permanece menos nos dados isolados e mais na leitura combinada entre fundamentos econômicos e ambiente institucional.
Agenda econômica hoje: principais eventos do dia
A quinta-feira começa com indicadores importantes para a precificação de juros e ativos globais:
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10h30 (EUA): Pedidos iniciais por seguro-desemprego;
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12h00 (EUA): Ofertas de emprego JOLTS (dezembro);
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15h00 (Brasil): Balança comercial de janeiro;
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18h30 (EUA): Balanço patrimonial do Federal Reserve;
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21h00 (EUA): Discurso do presidente Donald Trump;
Os dados de emprego seguem como principal termômetro para o mercado calibrar expectativas sobre o ritmo de cortes de juros nos Estados Unidos ao longo de 2026.
Estados Unidos: emprego, Fed e discurso político
Os pedidos de seguro-desemprego e o relatório JOLTS são acompanhados de perto por oferecerem sinais sobre o grau de aperto do mercado de trabalho. Um mercado ainda aquecido tende a reforçar a cautela do banco central americano na condução da política monetária.
No campo político, declarações recentes de Trump voltaram a colocar em pauta o debate sobre a independência do Fed, ao afirmar que não indicaria nomes favoráveis à alta de juros. Apesar do ruído, a leitura predominante do mercado é de que se trata de retórica eleitoral, sem impacto imediato sobre a condução da política monetária.
Brasil: agenda econômica dividindo espaço com ruído institucional
No Brasil, a divulgação da balança comercial ocorre em um ambiente marcado por incertezas institucionais e regulatórias. O noticiário recente adiciona camadas de risco à percepção dos investidores:
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Tensões no Supremo Tribunal Federal, com sinais de desgaste institucional;
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Aumento de gastos no Congresso em 23%;
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Avanço de propostas regulatórias sobre trabalho por aplicativos;
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Restrição à propaganda e ao patrocínio no setor de apostas;
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Propostas de tributação sobre criptoativos;
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Elevação do imposto de importação sobre bens de capital e informática;
Apesar do discurso oficial de estímulo ao investimento, o conjunto das medidas reforçam a percepção de imprevisibilidade regulatória, fator que pesa sobre decisões de alocação de capital.
Datacenters: exceção em meio ao ruído
Um ponto fora da curva no noticiário é o avanço do projeto de incentivos fiscais para datacenters, que prevê um custo fiscal estimado em R$ 7 bilhões em três anos e a promessa de atrair até R$ 2 trilhões em investimentos privados ao longo de uma década.
O tema dialoga diretamente com a megatendência global de inteligência artificial e infraestrutura digital, áreas que seguem recebendo fluxos estruturais de capital.
Sinais de estresse econômico
Além da agenda econômica formal, alguns indicadores de fundo seguem acendendo alertas:
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Alta de 24% no número de empresas em recuperação judicial em 2025, com destaque negativo para o agronegócio
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Estudos apontando risco de eliminação de centenas de milhares de empregos com mudanças na legislação trabalhista
Esses sinais reforçam a leitura de que decisões regulatórias mal calibradas tendem a se refletir primeiro nos dados microeconômicos, antes de contaminar os indicadores macro.













