O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) iniciou o ressarcimento aos clientes do Banco Master após a liquidação da instituição. De acordo com o próprio fundo, cerca de 570 mil das 800 mil pessoas que mantinham recursos em conta ou aplicados em produtos como CDB, LCI e LCA já pediram a devolução dos valores a que têm direito. No entanto, apenas 377 mil investidores finalizaram todo o processo de solicitação até o momento.
O FGC é uma associação privada responsável por administrar os recursos reservados pelas instituições financeiras para garantir o pagamento aos correntistas e investidores em casos de falência ou liquidação, dentro das regras do mecanismo.
A consolidação e a conferência da lista dos credores que têm direito a receber a garantia foram feitas pelo Banco Central (BC). A estimativa é que o montante restituído devido à liquidação do Master alcance cerca de R$ 40,6 bilhões.
Pessoas físicas devem pedir o pagamento de garantia por meio do aplicativo do FGC, disponível para Android e iOS. As pessoas jurídicas devem solicitar a restituição no Portal do Investidor.
Principal preservado, mas recursos ficaram sem render
Do ponto de vista financeiro, o ressarcimento garante a devolução integral do valor principal investido para os clientes enquadrados nas regras do fundo. No entanto, especialistas chamam atenção para um efeito menos visível do episódio: a interrupção da remuneração dos recursos durante o período em que ficaram indisponíveis.
Para Carlos Castro, planejador financeiro, membro do conselho da Planejar e CEO da SuperRico, não houve perda nominal para esses investidores, mas houve um impacto relevante sob a ótica econômica. “O investidor não perdeu o principal garantido pelo FGC, mas perdeu tempo. Os recursos ficaram congelados e deixaram de render a partir da decretação da liquidação”, explica.
Segundo Castro, esse efeito é conhecido como custo de oportunidade — o retorno que deixou de ser obtido porque o capital não pôde ser realocado: “Se esse dinheiro estivesse aplicado em ativos de liquidez diária, como Tesouro Selic, fundos DI ou mesmo CDBs de bancos maiores, teria continuado rendendo normalmente”. Leia aqui o artigo completo de Carlos Castro sobre o assunto.
Lição para o investidor
Na avaliação do planejador financeiro, o caso do Banco Master expõe um erro recorrente: analisar investimentos apenas pela rentabilidade oferecida e pela proteção do FGC, sem considerar adequadamente risco de crédito, liquidez e eventos extremos. “O episódio não gerou perdas nominais para a maioria, mas trouxe uma lição clara sobre a importância da liquidez e da coerência estratégica na carteira”, conclui.
(Com informações da Agência Brasil)
FGC começa a pagar no caso Banco Master, mas quanto o investidor vai receber?













