O agronegócio é responsável por aproximadamente 29,4% do Produto Interno Bruto brasileiro e ocupa uma posição central na economia do país. A atividade movimenta uma cadeia que envolve custeio, produção, indústria, transporte, armazenagem, comércio e exportações, demandando recursos de forma contínua para manter as operações e ampliar a capacidade produtiva. Nesse contexto, a necessidade de financiamento para modernização, expansão e novos projetos abriu espaço para uma participação cada vez maior do mercado de capitais.
Esse movimento já pode ser observado nos dados mais recentes do mercado de capitais.No primeiro semestre de 2026, os CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio) movimentaram R$ 7,1 bilhões em emissões, enquanto os Fiagros captaram R$ 8,3 bilhões, registrando o maior volume já observado para o período, segundo a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).
CRAs e Fiagros ampliam fontes de recursos
O crescimento desses instrumentos sinaliza uma mudança na estrutura de financiamento do setor. Produtores, cooperativas e empresas passaram a combinar o crédito rural com alternativas privadas para atender diferentes necessidades de custeio e investimento.
“A diversificação das fontes de financiamento é importante porque permite que cada necessidade do agronegócio seja atendida por uma estrutura adequada ao perfil do tomador. Instrumentos como CRAs e Fiagros podem contribuir tanto para o custeio quanto para investimentos em armazenagem, logística, tecnologia e aumento da capacidade produtiva, sempre considerando os riscos e as características de cada operação”, explica Erika Lacreta, Gerente de Mercado de Capitais da Anbima.
O crédito rural tradicional e o Plano Safra continuam desempenhando um papel importante no financiamento do agronegócio, mas o mercado de capitais passou a ocupar uma posição cada vez mais relevante na oferta de recursos para produtores, cooperativas e empresas do setor. Para a safra 2025/2026, o Plano Safra prevê R$ 516 bilhões em recursos. Na safra anterior, o desembolso chegou a R$ 330,9 bilhões, o equivalente a 69,4% do valor disponibilizado.
Cenário reforça a diversificação das fontes de financiamento
Os instrumentos privados podem oferecer estruturas compatíveis com os ciclos de produção e investimento do agronegócio.
A ampliação dessas alternativas pode atender tanto às necessidades de custeio quanto aos projetos de modernização, armazenagem, logística e expansão.
Transparência é necessária para atrair investidores
O aumento da participação do mercado de capitais também exige avanços em transparência, governança e segurança jurídica. Para a Anbima, empresas e produtores precisam fortalecer seus padrões de governança para consolidar sua atuação no mercado de crédito e ampliar o acesso a novas fontes de financiamento.
Entre as medidas apontadas estão a ampliação da transparência, a elaboração de demonstrações financeiras auditadas e a otimização dos processos internos.
“Informações de crédito e de melhor qualidade, garantias bem estruturadas e processos claros reduzem a assimetria de informações, aumentam a confiança dos investidores e favorecem a ampliação da oferta de recursos para o setor”, defende Erika, da Anbima.
Outro ponto destacado pela associação é o aprimoramento das regras relacionadas às garantias mobiliárias, especialmente nos processos de registro desses ativos.
A ampliação da base de investidores também faz parte desse processo. A entrada de novos participantes, inclusive estrangeiros, pode ampliar a disponibilidade de recursos para o agronegócio. Para isso, é fundamental fortalecer a transparência, a governança e a qualidade das informações disponibilizadas ao mercado.
O tema integra os posicionamentos da Anbima para o desenvolvimento do mercado de capitais brasileiro
A ampliação das fontes de financiamento para setores estratégicos da economia, como o agronegócio, faz parte dos posicionamentos defendidos pela Anbima na Agenda para o Desenvolvimento do Mercado de Capitais Brasileiro, documento que está sendo apresentado aos assessores econômicos dos candidatos à Presidência da República.
Quer conhecer a íntegra dos posicionamentos da Anbima?
Clique aqui: https://anbi.ma/agendamercadodecapitais
