A recente sequência de problemas envolvendo instituições financeiras de menor porte voltou a colocar no radar do mercado a crise no sistema bancário brasileiro. Embora sem impacto direto sobre os grandes bancos, o episódio elevou a percepção de risco entre investidores e correntistas e trouxe novamente ao debate o papel do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e a confiança institucional no país.
Durante participação na BM&C News, Marco Saravalle, CIO da MSX Invest, afirmou que o mercado não trata os casos como irrelevantes, mesmo quando envolvem bancos pequenos.
“É imprudente dizer que é insignificante. Independente do tamanho, todos são significativos. Estamos falando de fraude, e fraude sempre precisa ser tratada com preocupação”, disse.
Nos últimos meses, a liquidação e investigação de instituições financeiras reabriram discussões sobre fiscalização, governança e risco sistêmico, ainda que o sistema bancário nacional permaneça considerado sólido.
Crise no sistema bancário brasileiro: FGC volta ao centro do debate
Parte da preocupação do mercado está relacionada ao impacto dessas ocorrências sobre o Fundo Garantidor de Créditos. O FGC é um mecanismo privado mantido pelos próprios bancos para proteger depositantes em caso de intervenção ou liquidação de instituições financeiras.
Saravalle ressalta que, embora o fundo evite perdas diretas ao investidor dentro do limite de cobertura, a conta não desaparece.
“No fim, quem paga é o correntista. O FGC precisa ser reconstruído depois desses episódios e isso, direta ou indiretamente, recai sobre clientes e serviços bancários.”
Segundo ele, a existência do fundo não elimina a necessidade de fiscalização eficiente. Para o executivo, o ideal seria que auditorias e supervisão impedissem fraudes antes de atingirem o sistema.
“Temos auditoria do Banco Central, auditoria independente e regras prudenciais. Em tese, nem deveríamos estar discutindo a necessidade de proteção contra fraude.”
Pequenos bancos não quebram o sistema, mas afetam a confiança
Do ponto de vista estrutural, os episódios não indicam risco sistêmico imediato. Instituições de menor porte representam parcela reduzida dos ativos do sistema financeiro nacional.
Ainda assim, a preocupação do mercado vai além do impacto econômico direto.
“A preocupação maior não é o tamanho do banco, é a confiança. Toda vez que ocorre fraude, o investidor passa a questionar a segurança do sistema”, explicou Saravalle.
Ele lembra que a história financeira brasileira é marcada por ciclos: períodos de estabilidade são seguidos por novos episódios de irregularidades, o que afeta a percepção de segurança.
Risco institucional entra no radar dos investidores
Outro ponto levantado pelo CIO da MSX Invest é o impacto institucional. Para ele, o problema não se limita ao sistema bancário, mas à percepção de segurança jurídica no país.
“Quando falamos em segurança no Brasil, não é apenas segurança física. É segurança para fazer negócios, respeitar contratos e punir responsáveis.”
Segundo Saravalle, empresários têm demonstrado maior cautela ao investir e, em alguns casos, avaliam operações fora do país.
“Tenho escutado cada vez mais empresários dizendo que preferem abrir empresa no exterior. Isso afasta investimento e reduz o dinamismo econômico.”
Seu dinheiro está seguro no banco?
Apesar do aumento da preocupação, especialistas destacam que o sistema bancário brasileiro segue altamente regulado. O Banco Central mantém exigências de capital, liquidez e supervisão contínua, consideradas mais rígidas do que em muitos países.
Além disso, o FGC garante depósitos e investimentos até o limite de cobertura por CPF e instituição financeira.
O problema, segundo Saravalle, não é a solvência do sistema, mas a confiança.
“O essencial agora é responsabilização rápida e efetiva. Sem punição, o risco é a repetição dos casos e a deterioração da confiança.”
Crise no sistema bancário brasileiro: os impactos econômicos
Mesmo sem risco sistêmico imediato, episódios de fraude bancária podem gerar efeitos indiretos:
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aumento do custo de captação dos bancos menores;
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maior concentração bancária;
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crédito mais caro;
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menor disposição para investimento.
A consequência final, segundo analistas, é a redução da eficiência do sistema financeiro e menor crescimento econômico.













