O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (30) a indicação de Kevin Warsh para o cargo de presidente do Conselho de Governadores do Federal Reserve (Fed), o banco central americano.
Em declaração, Trump afirmou que Warsh “será um dos maiores e não vai decepcionar”, sem dar mais detalhes sobre o processo de confirmação ou sobre a transição no comando da autoridade monetária.
Kevin Warsh já integrou o Conselho de Governadores do Fed entre 2006 e 2011, período que incluiu a crise financeira global de 2008, e é conhecido por posições mais críticas ao expansionismo monetário.
A indicação ainda precisará ser confirmada pelo Senado dos Estados Unidos.
Kevin Warsh: nome não disruptivo, segundo Gustavo Cruz
Para Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, a escolha de Kevin Warsh não representa uma ruptura institucional no Federal Reserve, justamente por se tratar de um nome já conhecido do mercado e com passagem anterior pelo banco central americano.
“Não é muito disruptivo, pois é um antigo dirigente do Fed. Mas ele deve chegar pedindo cortes mais rápidos. A minha leitura é que os juros podem se aproximar de 2,5% ainda neste ano, enquanto o mercado hoje precifica algo em torno de 3%”, avalia.
Warsh além do rótulo de “hawk”
Já na visão de Fábio Fares, especialista em análise macro, a tentativa do mercado de rotular Warsh como um perfil “hawk” simplifica excessivamente sua posição intelectual e econômica. Segundo Fares, Warsh não se enquadra no estereótipo clássico de defensor de juros elevados, mas sim em uma visão anti-keynesiana na prática, baseada em crescimento via investimento produtivo, aumento de produtividade e expansão do crédito privado, em oposição ao uso recorrente de estímulos monetários via balanço do banco central.
Fares destaca que a crítica de Warsh ao quantitative easing (QE) não significa endurecimento monetário, mas sim uma leitura de que essa ferramenta falhou em promover crescimento estrutural e gerou distorções relevantes na economia, como inflação de ativos, má alocação de capital e aumento da desigualdade patrimonial.
“Questionar QE não é ser duro com a economia, é reconhecer que a política monetária virou um mecanismo de sustentação artificial dos preços dos ativos”, aponta.
Kevin Warsh e a agenda econômica de Trump
Na avaliação do especialista, é justamente esse perfil que aproxima Warsh da agenda econômica de Donald Trump, mais alinhada a uma lógica de política de oferta, centrada em produção, investimento real e fortalecimento da economia produtiva.
“O desconforto de Wall Street não é com juros mais altos, mas com a possível perda da rede de proteção implícita do Fed como garantidor de mercado”, afirma.













