Os mercados globais iniciam a semana atentos aos desdobramentos da prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, em um cenário já marcado por uma agenda intensa de indicadores econômicos e eventos relevantes ao longo dos próximos dias. O episódio geopolítico adiciona um novo elemento de incerteza ao início de 2026 e pode influenciar o comportamento de ativos de risco, juros, moedas e commodities.
No campo diplomático, Brasil e outros cinco países divulgaram um comunicado conjunto condenando a ação dos Estados Unidos na Venezuela, classificando a operação como uma violação do direito internacional e defendendo a preservação da soberania e da estabilidade regional, segundo informações da Agência Brasil. A repercussão internacional ampliou a tensão política e levou o tema ao centro do debate global.
Na Venezuela, as Forças Armadas anunciaram o reconhecimento da vice-presidente Delcy Rodríguez como presidente interina, em meio ao vácuo de poder provocado pela captura de Maduro. A movimentação busca garantir continuidade institucional no país, enquanto a situação segue sob forte monitoramento internacional.
Diante da escalada da crise, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) realiza nesta segunda-feira uma reunião de emergência para discutir os impactos do episódio e possíveis encaminhamentos diplomáticos, o que mantém o cenário externo no radar dos investidores.
Agenda macroeconômica reforça cautela
Para Francisco Alves, operador de mercado e apresentador do Pre Market, na BM&C News, a prisão de Maduro ocorre em um momento sensível para os mercados, após um ano de desempenho expressivo dos ativos de risco.
“Depois de ganhos expressivos dos mercados internacionais ao longo de 2025, incluindo o Ibovespa, que subiu mais de 34% no ano, começamos a primeira semana útil de janeiro com muitos dados, muitos eventos e indicadores importantes”, avalia.
No Brasil, o investidor acompanha a divulgação do Boletim Focus, dados de produção industrial, balança comercial e o IPCA de dezembro, que ajudam a calibrar as expectativas para a política monetária. No exterior, entram no radar os PMIs de serviços, indústria e composto na Europa e nos Estados Unidos, além dos dados de inflação da China, com os índices CPI e PPI.
Segundo Alves, o principal destaque da semana está nos números do mercado de trabalho norte-americano, que voltam a ganhar tração após a normalização dos dados depois do shutdown no fim do ano passado. Estão no foco os relatórios do ADP, JOLTS e, na sexta-feira, o payroll, além da taxa de desemprego e do salário médio por hora.
“Esses dados devem dominar as atenções da semana, já que o Federal Reserve acompanha de perto o comportamento do mercado de trabalho para calibrar suas decisões”, afirma.
Geopolítica e ativos de proteção no radar
Nesse contexto, o analista destaca que a prisão de Maduro adiciona um fator novo de risco ao início do ano. “O mercado passa a monitorar não só os desdobramentos geopolíticos, mas também os reflexos sobre juros, commodities e ativos de proteção, como ouro, prata e moedas consideradas porto seguro”, diz Alves.
Além disso, o investidor também acompanha o início da Consumer Electronics Show (CES), em Las Vegas, com discursos aguardados de executivos de grandes empresas de tecnologia, como Nvidia e AMD, que podem influenciar ações do setor de semicondutores e tecnologia global.
“É um começo de ano com agenda cheia, dados relevantes e um fato geopolítico novo que pode alterar a dinâmica inicial dos mercados”, conclui.












