A terceira rodada de negociações entre Estados Unidos e Irã começou nesta quinta-feira (26), em Genebra, na Suíça, em mais uma tentativa de destravar o impasse envolvendo o programa nuclear iraniano e a retirada de sanções econômicas impostas a Teerã.
As delegações chegaram à residência do embaixador de Omã, país que atua como mediador, para reuniões indiretas, formato adotado devido à ausência de relações diplomáticas formais entre os dois países.
Participam das conversas o enviado especial americano Steve Witkoff e Jared Kushner, assessor do presidente Donald Trump, enquanto o Irã é representado pelo ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi. A mediação fica a cargo do chanceler de Omã, Badr Albusaidi.
O que está sendo negociado entre Estados Unidos e Irã
O ponto central das discussões é o programa nuclear iraniano. Washington, países europeus e Israel afirmam que o enriquecimento de urânio pode permitir ao Irã desenvolver armas nucleares. Teerã nega e sustenta que sua tecnologia tem finalidade exclusivamente civil e energética.
Os Estados Unidos também querem incluir no acordo o programa de mísseis balísticos iranianos, tema que o governo iraniano resiste em discutir.
Em comunicado recente, Araqchi afirmou que o país busca um acordo rápido, mas não abrirá mão do direito à tecnologia nuclear para fins pacíficos.
Pressão militar aumenta
As negociações ocorrem sob forte pressão geopolítica. O governo americano mobilizou forças militares adicionais para o Oriente Médio, incluindo caças, grupos de ataque de porta-aviões, destróieres e cruzadores. Trata-se do maior posicionamento militar dos EUA na região desde a invasão do Iraque em 2003.
O presidente Donald Trump declarou que prefere uma solução diplomática, mas advertiu que não permitirá que o Irã obtenha armas nucleares e chegou a indicar um prazo curto para um acordo.
O clima de tensão também é influenciado por episódios recentes: no ano passado, EUA e Israel atacaram instalações nucleares iranianas, e o Irã ameaçou retaliar caso ocorra nova ofensiva.
Mercado acompanha petróleo
A possibilidade de escalada militar no Oriente Médio levou investidores a monitorar atentamente o mercado de energia. Os preços do petróleo registraram leve alta nesta quinta-feira, refletindo o receio de interrupções no fornecimento global.
Fontes indicam que a Arábia Saudita já elevou produção e exportações como medida de contingência caso um conflito reduza a oferta regional.
O risco é relevante porque a região concentra parte expressiva da produção mundial de petróleo, e qualquer bloqueio logístico, especialmente no Golfo Pérsico, pode provocar choque de oferta.













