O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou nesta sexta-feira (13) que a Europa terá de estabelecer novas “regras de coexistência” com a Rússia mesmo após um eventual fim da guerra na Ucrânia. Segundo ele, o encerramento do conflito não significará automaticamente estabilidade no continente.
Para Macron, será necessário construir uma nova arquitetura de segurança que reduza o risco de futuras escaladas militares e estabeleça limites claros na relação entre europeus e russos no período pós-guerra.
Europa precisa participar das negociações
Durante discurso na Conferência de Segurança de Munique, o presidente francês avaliou que o conflito pode se aproximar de um desfecho, mas destacou que Moscou segue promovendo ataques contra infraestruturas civis e energéticas ucranianas.
Macron defendeu que não haverá paz duradoura sem participação ativa da Europa nas negociações. Para ele, qualquer acordo precisa contar com o consenso europeu e incluir garantias de segurança robustas para o período posterior ao conflito.
Pressão econômica e diálogo coordenado
O líder francês também indicou que a Europa deve manter e ampliar a pressão econômica sobre Moscou, incluindo medidas voltadas à chamada “frota-sombra” utilizada para viabilizar exportações de petróleo.
Ao mesmo tempo, sinalizou a criação de um canal direto de comunicação com o Kremlin, em coordenação com parceiros europeus e norte-americanos, mantendo transparência com Kiev.
Autonomia estratégica no centro da agenda
Macron reforçou que o conflito evidencia a necessidade de a Europa fortalecer sua autonomia estratégica, reduzindo dependências externas e ampliando investimentos em sua base industrial e tecnológica.
Segundo ele, o fim da guerra não encerrará o desafio geopolítico representado pela Rússia. A estabilidade europeia dependerá da construção de novas regras de convivência e de um continente mais forte, integrado e preparado para agir de forma coordenada no cenário internacional.

