O governo iraniano afirmou que não aceitará um cessar-fogo temporário no conflito com Estados Unidos e Israel, argumentando que uma pausa nas hostilidades poderia permitir que os adversários se reorganizassem militarmente antes de retomar os confrontos.
A posição foi apresentada pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, em declaração à agência estatal IRNA. Segundo ele, a prioridade do país é encerrar definitivamente o conflito, e não aceitar interrupções provisórias.
“Queremos o fim da guerra e medidas que impeçam sua repetição”, afirmou o porta-voz.
A declaração ocorre em meio a discussões diplomáticas envolvendo mediadores regionais e potências internacionais sobre possíveis caminhos para reduzir as hostilidades no Oriente Médio.
Proposta de cessar-fogo circula entre EUA e Irã
De acordo com informações divulgadas pela Reuters, Estados Unidos e Irã receberam uma proposta para interromper as hostilidades, que poderia entrar em vigor ainda nesta segunda-feira (6).
A iniciativa faria parte de um esforço diplomático mais amplo para conter a escalada do conflito na região.
Segundo o portal Axios, mediadores estariam discutindo um acordo em duas etapas, que incluiria inicialmente um cessar-fogo de 45 dias, seguido por negociações para um acordo permanente que encerrasse o conflito.
Baghaei, no entanto, evitou comentar diretamente essas informações.
Irã critica exigências americanas
O porta-voz iraniano afirmou que o país já preparou uma resposta às demandas apresentadas pelos Estados Unidos, que teriam sido encaminhadas a Teerã por meio do Paquistão.
Segundo ele, as exigências americanas fazem parte de uma lista de 15 pontos, considerada pelo governo iraniano como excessiva.
Baghaei classificou as propostas como “extremamente excessivas, incomuns e ilógicas” e ressaltou que o Irã mantém cautela diante de negociações com Washington.
Ele também mencionou o que chamou de “experiência amarga em negociações com os Estados Unidos”, indicando desconfiança em relação às tratativas diplomáticas.
O representante do governo iraniano também criticou a postura adotada por Washington nas negociações.
“Conversas diplomáticas são incompatíveis com ultimatos, crimes e ameaças de guerra”, afirmou.
A declaração faz referência à ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de bombardear instalações estratégicas iranianas caso o Estreito de Ormuz não seja reaberto.
A região é considerada uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo e gás.
Irã alerta para possível escalada militar
Em paralelo, o porta-voz das Forças Armadas iranianas, Ebrahim Zolfaghari, afirmou que o país poderá ampliar significativamente sua resposta militar caso ataques contra alvos civis continuem.
Segundo ele, uma nova ofensiva poderia resultar em perdas “várias vezes superiores” para os adversários.
A declaração foi divulgada pela agência Tasnim e reforça o tom de advertência adotado por Teerã em meio à escalada das tensões.
A possibilidade de continuidade do conflito no Oriente Médio mantém investidores atentos aos desdobramentos geopolíticos.
Regiões estratégicas como o Estreito de Ormuz são consideradas sensíveis para o fluxo global de energia, e qualquer escalada militar pode gerar impactos em preços de petróleo, inflação e mercados internacionais.
Por isso, o tema permanece no radar de analistas e participantes do mercado financeiro, que acompanham os sinais diplomáticos e militares nas negociações entre Irã, Estados Unidos e aliados.













