Os Estados Unidos preparam uma nova etapa de pressão econômica contra o Irã, com medidas destinadas a restringir as fontes de receita de Teerã e alcançar também países, bancos, empresas e intermediários que mantenham relações comerciais com o regime iraniano.
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou que o novo pacote será detalhado na segunda-feira. As sanções contra o Irã deverão atingir operações relacionadas à compra de petróleo, transferências financeiras e atividades marítimas.
O presidente Donald Trump também ameaçou impor consequências econômicas aos países que continuarem oferecendo apoio a Teerã.
Bessent afirmou que o aumento da pressão econômica poderia reduzir a necessidade de novas operações militares de grande porte. Washington pretende combinar as sanções econômicas com o bloqueio naval para ampliar a pressão sobre a economia iraniana.
Por que a China se tornou peça central nas novas sanções?
A China é um dos principais obstáculos à estratégia americana. Pequim responde pela maior parte das compras de petróleo iraniano, uma das principais fontes de receita externa de Teerã.
Para ampliar o isolamento econômico, Washington poderia atingir empresas, refinarias e até instituições financeiras chinesas envolvidas nesse comércio. Uma iniciativa desse tipo, no entanto, elevaria o risco de uma nova escalada entre as duas maiores economias do mundo.
O movimento ocorre poucas semanas antes de uma visita prevista de Xi Jinping aos Estados Unidos.
Pequim já rejeitou as ameaças americanas e afirmou que sanções não resolverão o conflito. A China também dispõe de instrumentos de retaliação, entre eles restrições às exportações de terras raras, utilizadas anteriormente em disputas com Washington.
Como o Irã tenta reduzir o impacto da pressão americana?
Teerã busca aprofundar suas relações econômicas com países vizinhos. O governo iraniano anunciou a conclusão de um acordo comercial preferencial com Omã, ainda sujeito a aprovações internas.
A iniciativa faz parte de uma estratégia para ampliar as exportações não petrolíferas e fortalecer a infraestrutura logística regional.
O Irã também pretende retomar negociações comerciais com a Turquia, reabrir mercados fronteiriços e aprofundar as relações com o Iraque.
Omã ganhou importância adicional porque discute com Teerã alternativas para o Estreito de Ormuz, inclusive uma possível administração conjunta da rota.
O cerco econômico dos EUA pode funcionar sem apoio internacional?
A capacidade de Washington de ampliar as sanções contra o Irã dependerá da participação de parceiros econômicos relevantes de Teerã.
China, Turquia e Iraque aparecem como atores importantes para a efetividade da estratégia americana. O Irã, por sua vez, busca ampliar transações em moedas nacionais e aprofundar a integração econômica com os países vizinhos.
O presidente do Banco Central iraniano afirmou que as exportações de petróleo praticamente cessaram nas condições atuais, enquanto os Estados Unidos tentam aumentar ainda mais o custo econômico do conflito.
