Líderes europeus, representantes dos Estados Unidos e delegações de dezenas de países se reuniram nesta terça-feira, em Paris, para uma nova rodada de negociações voltadas à segurança da Ucrânia e à busca de caminhos para um possível cessar-fogo no conflito com a Rússia, que já se aproxima de quatro anos.
O encontro ocorreu no Palácio do Eliseu e reuniu integrantes da chamada Coalizão dos Dispostos, formada por cerca de 35 países. A iniciativa busca construir um arcabouço de apoio político, militar e estratégico capaz de reduzir o risco de novas ofensivas e criar condições mínimas para negociações mais amplas.
Além disso, a presença de enviados especiais norte-americanos foi interpretada como um sinal de maior engajamento de Washington nas discussões sobre o futuro da segurança europeia. O movimento ocorre após um período de incertezas quanto ao grau de envolvimento dos Estados Unidos no apoio direto a Kiev.
Como funcionariam as garantias de segurança propostas?
O principal eixo das conversas foi a criação de garantias de segurança inspiradas no Artigo 5 da OTAN, que prevê defesa coletiva em caso de agressão. A ideia é estabelecer compromissos duradouros de apoio militar e político à Ucrânia, mesmo sem sua adesão formal à aliança.
Nesse sentido, os participantes discutiram mecanismos de monitoramento de um eventual cessar-fogo que priorizem o uso de tecnologia, como drones, sensores e satélites, reduzindo a necessidade imediata de tropas estrangeiras em solo ucraniano.
- Monitoramento tecnológico de fronteiras e linhas de cessar-fogo
- Apoio militar contínuo e estruturado
- Compromissos multilaterais de resposta a novas agressões
Por outro lado, países como França, Reino Unido, Alemanha, Polônia e Canadá também analisaram formas de fortalecer a capacidade operacional das forças ucranianas, com foco em treinamento, logística e fornecimento de equipamentos.
Enquanto isso, França e Reino Unido sinalizaram disposição para integrar uma força multinacional após um eventual acordo de paz, desde que essa presença não envolva atuação direta nas linhas de frente do conflito.
O presidente ucraniano avaliou que houve avanços nas discussões, mas reconheceu que a questão territorial segue como um dos principais entraves. Segundo ele, diferentes propostas foram debatidas, incluindo possíveis arranjos econômicos ou soluções negociadas, ainda sem consenso.
Apesar do tom construtivo entre os aliados, a Rússia não participou das conversas e não indicou disposição para aceitar os termos discutidos. Nesse cenário, diplomatas avaliam que um acordo de paz imediato permanece distante.
Por fim, a cúpula em Paris também serviu para reforçar a unidade entre países europeus e parceiros transatlânticos, em meio a um ambiente geopolítico mais instável e a crescentes preocupações com a segurança do continente.

