O governo brasileiro condenou neste sábado (28) os ataques militares realizados por Estados Unidos e Israel contra o Irã, posicionando-se diplomaticamente em defesa da negociação e do respeito ao direito internacional em meio à nova escalada no Oriente Médio. A manifestação oficial ocorre enquanto os efeitos do conflito já começam a atingir a economia real e a logística global, com cancelamentos massivos de voos comerciais na região.
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores afirmou ter “grave preocupação” com a situação e destacou que os bombardeios ocorreram durante um processo de diálogo entre as partes. O Itamaraty reiterou que a via diplomática deve prevalecer e apelou por contenção para evitar ampliação do conflito e danos a civis e infraestrutura. “O Brasil apela a todas as partes que respeitem o Direito Internacional e exerçam máxima contenção, de maneira a evitar a escalada de hostilidades e a assegurar a proteção de civis e da infraestrutura civil”, diz a nota.
O embaixador do Brasil em Teerã, André Veras Guimarães, está em contato direto com a comunidade brasileira, para transmitir atualizações sobre a situação e orientações de segurança. As demais embaixadas brasileiras na região também acompanham os desdobramentos das ações militares, “com particular atenção às necessidades das comunidades brasileiras nos países afetados”. “Recomenda-se aos brasileiros que estejam atentos às orientações de segurança das autoridades locais nos países onde morem ou se encontrem”, alertou o Itamaraty.
Segundo o governo brasileiro, a negociação permanece “o único caminho viável para a paz”, posição tradicional da diplomacia do país para crises no Oriente Médio. O Brasil também informou que mantém contato com a comunidade brasileira na região para orientação de segurança e acompanhamento dos desdobramentos.
Os ataques foram confirmados após Israel lançar ofensiva contra alvos iranianos e o governo americano anunciar operações militares alegando eliminar ameaças do regime iraniano. A ação ocorreu poucos dias depois de Estados Unidos e Irã retomarem conversas sobre o programa nuclear de Teerã.
A escalada militar
A tensão diplomática já produz efeitos concretos fora do campo político. Companhias aéreas globais suspenderam voos em praticamente todo o Oriente Médio após a ofensiva militar, reduzindo significativamente a circulação aérea internacional.
Mapas de tráfego aéreo mostraram o espaço aéreo sobre Irã, Iraque, Kuwait, Israel e Bahrein praticamente vazio. Dados preliminares indicam cancelamento de quase 40% dos voos para Israel e de 6,7% das operações na região em geral.
Diversos países fecharam seus espaços aéreos, e companhias como Lufthansa, Air France e British Airways suspenderam rotas para cidades importantes, incluindo Tel Aviv, Dubai e Beirute.
O impacto vai além do transporte de passageiros. A região funciona como corredor estratégico entre Europa e Ásia, e interrupções aumentam custos operacionais, exigem mais combustível e ampliam riscos para aeronaves civis, inclusive possibilidade de abates acidentais em áreas de conflito.
O Oriente Médio é um dos principais polos de energia e rotas comerciais do mundo. A interrupção de voos e o aumento da tensão militar tendem a elevar custos logísticos, pressionar cadeias de suprimentos e ampliar a incerteza global — fator que costuma impactar inflação, petróleo e decisões de política monetária.
(Com informações da Agência Brasil)
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