Autoridades dos Estados Unidos reafirmaram que o presidente venezuelano Nicolás Maduro foi capturado e retirado do país após o ataque militar lançado contra a Venezuela nas primeiras horas da madrugada.
O novo posicionamento ocorre horas após o presidente Donald Trump anunciar que a ofensiva foi uma operação “bem-sucedida e de grande escala”, conduzida por forças de segurança americanas. O governo venezuelano, por sua vez, segue exigindo prova de vida imediata de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, alegando não possuir informações oficiais sobre o paradeiro do casal.
Enquanto Washington sustenta que a operação atingiu seus objetivos centrais, Caracas declarou estado de emergência nacional, reforçou o controle militar em áreas estratégicas e classificou a ação dos EUA como uma agressão direta à soberania do país. Autoridades venezuelanas também afirmaram que as instituições do Estado permanecem em funcionamento, apesar do ambiente de instabilidade.
Infraestrutura de petróleo permanece operacional
Um dos pontos que mais chamaram a atenção dos mercados foi o fato de que, segundo fontes do setor de energia, as principais instalações da PDVSA, estatal de petróleo da Venezuela, não sofreram danos diretos durante os ataques. Refinarias, campos de produção e oleodutos seguem operando, o que ajudou a conter reações mais bruscas nos preços internacionais do petróleo nas primeiras horas após a ofensiva.
Analistas avaliam que a preservação da infraestrutura energética indica que a operação teve um foco predominantemente político e estratégico, evitando impactos imediatos sobre o mercado global de energia. Ainda assim, relatos preliminares apontam que áreas logísticas e portuárias, como La Guaira, teriam sido parcialmente afetadas, o que pode gerar gargalos operacionais no curto prazo.
Pressão nas fronteiras e preocupação humanitária
A escalada do conflito já provoca efeitos regionais concretos. Países vizinhos, em especial a Colômbia, reforçaram a presença militar nas fronteiras diante do aumento no fluxo de venezuelanos que tentam deixar o país. Governos da região alertam para o risco de agravamento da crise humanitária, caso o impasse político e militar se prolongue.
Relatos vindos de Caracas indicam pânico civil em áreas urbanas, interrupções no fornecimento de energia elétrica, dificuldades de comunicação e restrições de circulação em determinados bairros. Autoridades locais pediram calma à população, mas admitiram dificuldades logísticas para restabelecer plenamente os serviços.
Reações internacionais seguem divididas
A resposta internacional continua fragmentada. Rússia e Cuba reiteraram críticas à ofensiva americana, classificando a ação como uma violação do direito internacional e da soberania venezuelana. Moscou defendeu que a América Latina não seja transformada em palco de disputas militares entre grandes potências.
Na outra ponta, a Argentina, sob o governo de Javier Milei, manteve posição favorável à ação dos EUA, argumentando que o movimento representa um enfrentamento direto a regimes autoritários e ao crime organizado transnacional.
Países como o Chile adotaram postura mais cautelosa, defendendo que a crise seja tratada por meio do diálogo e de mecanismos multilaterais. Já ONU e OEA enfrentam pressão crescente para convocar reuniões emergenciais, diante do risco de escalada prolongada e de impactos humanitários na região.
Debate jurídico e impacto geopolítico
Especialistas em direito internacional apontam que a operação reacende o debate sobre o uso da força militar fora do território americano, especialmente em ações realizadas sem autorização explícita de organismos multilaterais ou do Congresso dos Estados Unidos. A legalidade da captura de um chefe de Estado em exercício também deve ser alvo de questionamentos em tribunais internacionais.
Do ponto de vista geopolítico, o episódio pode acelerar uma reconfiguração das alianças na América Latina, aprofundando divisões entre governos alinhados aos EUA e países que defendem maior autonomia regional. O cenário também eleva a percepção de risco político, com potencial impacto sobre investimentos, fluxos comerciais e estabilidade institucional em países vizinhos.
Enquanto isso, a Venezuela entra em um novo período de instabilidade institucional, com incertezas sobre sua liderança política, governabilidade e os próximos passos da comunidade internacional. O desfecho da crise dependerá não apenas das ações militares e diplomáticas em curso, mas também da resposta dos organismos multilaterais e da capacidade de contenção de uma escalada regional mais ampla.

