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Nelogica
Entrevista

O papel da cultura organizacional no sucesso de uma empresa

No episódio desta semana do programa Money Report, transmitido pela BMC News, os CEOs Ricardo Basaglia (Michael Page), Fernando Weber (Weber Cidades Inteligentes) e Paul Malicki (Flapper) discutiram os desafios reais da cultura organizacional nas empresas. No bate-papo, mediado por Aluizio Falcão, os líderes revelaram erros cometidos ao longo da carreira, práticas de gestão que funcionam, e as que não funcionam, e como atitudes individuais moldam o ambiente corporativo.

Segundo Basaglia, um dado que persiste ao longo dos anos é que 91% das demissões acontecem por questões comportamentais, e não técnicas. Isso evidencia a importância da cultura organizacional como fator determinante na retenção de talentos e na construção de ambientes produtivos e saudáveis. “O que mais derruba um executivo não é a falta de competência técnica, mas a arrogância, principalmente a interna, aquela silenciosa que impede o aprendizado”, afirmou.

Como a cultura organizacional influencia o desempenho?

Basaglia foi direto ao afirmar que a cultura de uma empresa não está nos discursos, mas nos comportamentos tolerados. “A cultura organizacional se forma quando você contrata, dá feedback, promove ou demite. Esses quatro momentos dizem o que a empresa valoriza”, explicou. A omissão, segundo ele, também comunica e geralmente, muito mal.

Fernando Weber complementou que sua empresa aprendeu na prática a importância de respeitar o tempo e a cultura local de cada cidade onde atua. “No começo, eu queria impor soluções prontas. Hoje, entendemos que cada comunidade tem seu ritmo. A cultura organizacional da Weber precisa se conectar com o ecossistema local para gerar transformação real”, explicou.

Trazer pessoas de fora do setor ajuda a cultura da empresa?

Paul Malicki compartilhou uma decisão estratégica da Flapper: não contratar pessoas com histórico na aviação executiva. O motivo? Reposicionar o atendimento ao cliente ultraexigente, baseado em tecnologia e empatia. “A cultura organizacional da aviação era viciada em processos antiquados. Precisávamos reinventar, e isso exigia pessoas sem vícios de mercado”, afirmou.

Ricardo Basaglia validou a decisão de Malicki e apontou que 25% das contratações hoje vêm de profissionais que migram de outros setores. “Setores mais dinâmicos estão buscando cultura organizacional baseada em inovação e diversidade de pensamento, e não apenas em experiência técnica”, destacou.

Como adaptar a cultura organizacional a modelos descentralizados?

No caso da Weber, que atua em dezenas de cidades, a construção da cultura precisa respeitar a identidade local. “Nossa missão é transformar bairros e formar empreendedores, mas sem atropelar valores regionais. Estimulamos um movimento endógeno, ou seja, a cultura nasce de dentro para fora”, disse Weber.

A empresa investe em negócios locais, promove parcerias com futuros sócios e oferece formação empreendedora para quem deseja tocar academias, escolas, empresas de tecnologia e até postos de combustível dentro dos bairros inteligentes.

Quando o cliente molda a cultura organizacional?

Malicki, que atende a elite global na aviação executiva, explicou que o nível de exigência é altíssimo. “Temos que atender como um relógio suíço. Já tivemos cliente pedindo para buscar chicken nuggets de jatinho para o filho. A cultura organizacional da Flapper combina dados, tecnologia e controle emocional para resolver qualquer demanda sem comprometer a eficiência”, relatou.

Para manter o equilíbrio, o CEO da Flapper compartilhou sua própria rotina de autocuidado: esporte diário, coaching, artes marciais e alinhamento com a equipe. “Liderar exige preparo físico, mental e emocional constante.”

Redes sociais e coerência com a cultura organizacional

Na era da exposição digital, Basaglia alertou que a imagem nas redes precisa refletir os valores que o profissional diz ter. “Se você fala que é disciplinado, mas suas redes mostram o contrário, há uma incoerência perigosa. A cultura organizacional também se expressa na forma como o time se posiciona publicamente.”

Ele ainda lembrou que o modelo de trabalho híbrido, adotado durante a pandemia, está sendo revisto. “A maioria das empresas não tem estrutura para manter produtividade no remoto. Sem processos e ferramentas bem desenhadas, a cultura organizacional sofre.”

Cultura forte começa por decisões corajosas

O episódio reforçou que a cultura não é o que a empresa escreve no manual, mas o que ela permite diariamente. Promover, tolerar ou ignorar comportamentos define os limites de ação dos times. “A performance líquida de um colaborador é o resultado entregue menos o estrago que ele causa no ambiente”, concluiu Basaglia.

Empresas que investem na construção de uma cultura clara, coerente e centrada no propósito conseguem não apenas reter talentos, mas também atrair líderes capazes de gerar transformação. No fim das contas, a cultura organizacional é a base invisível que sustenta, ou desmorona, qualquer estratégia.

Veja na íntegra:

O papel da cultura organizacional no sucesso de uma empresa
Money Report debate sobre cultura organizacional. Foto: Reprodução/BM&C News.