Cientistas do MIT decifraram o segredo perdido do concreto romano que permite rachaduras se curarem sozinhas após dois milênios, uma descoberta que pode transformar a construção moderna.
Qual o ingrediente secreto do concreto romano?
Pesquisadores liderados por Admir Masic analisaram amostras de uma muralha de 2 mil anos em Privernum (Itália) e de estruturas em Pompeia. Eles identificaram pequenos pedaços brancos de cal viva (quicklime) misturados com cinzas vulcânicas (pozzolana). Esses fragmentos, antes ignorados como “defeitos”, são a chave da autorreparação.
Ao contrário do que se pensava, os romanos não usavam cal apagada. Eles empregavam cal viva pura, aquecida com pozzolana e água num processo chamado “mistura quente” (hot mixing). Isso gerava bolhas de gás que incorporavam os clastos reativos no concreto.

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Como funciona o mecanismo de autorreparação?
Os clastos de cal viva formam nanopartículas frágeis dentro do concreto. Quando uma rachadura se abre, a água da chuva ou da umidade penetra e reage com essas partículas, criando carbonato de cálcio que preenche a fissura. Em testes, rachaduras de até 0,6 mm selaram completamente em até duas semanas.
A tabela abaixo compara o concreto romano com o moderno:
O canal Inspenet, que soma mais de 156 mil inscritos, produziu um vídeo detalhando o funcionamento da autorreparação:
O que os romanos faziam de diferente?
A receita romana era simples, mas genial. Eles combinavam cal viva (óxido de cálcio) com cinzas vulcânicas (pozolana) e água do mar. A reação exotérmica gerava calor e incorporava os clastos reativos. Esse método garantiu a sobrevivência de estruturas como o Panteão, com sua cúpula de concreto intacta há quase 2 mil anos, e os portos marítimos, resistentes à erosão da água salgada.
Os construtores romanos também usavam técnicas como compactação manual e camadas sucessivas, mas o diferencial era a química. O estudo foi publicado após análises detalhadas de amostras de Pompeia, soterrada em 79 d.C.
Como essa descoberta pode revolucionar a construção moderna?
O time do MIT já patenteou uma versão atualizada do concreto romano, adaptada para uso moderno. Os benefícios potenciais são enormes:
- Redução de emissões de CO₂ em até 80% comparado ao cimento Portland.
- Estruturas que se curam sozinhas, diminuindo custos de manutenção.
- Maior durabilidade em pontes, barragens e edifícios.
- Resistência sísmica melhorada, já que microfissuras se fecham.
- Menor necessidade de reparos ao longo da vida útil.
Testes em laboratório já mostraram a regeneração espontânea de fissuras. A expectativa é que o novo material comece a ser testado em obras de infraestrutura nos próximos anos, segundo a Super Interessante.
Quais estruturas romanas ainda existem graças a essa técnica?
Além do Panteão, vários monumentos atestam a durabilidade do concreto romano:
- Mercados de Trajano (Roma) com suas abóbadas de concreto.
- Aquedutos como o Pont du Gard, na França.
- Portos de Cosa e Óstia, que resistiram ao mar por séculos.
- Muralhas de cidades como Privernum, onde as amostras foram coletadas.
Essas construções desafiam a lógica da degradação moderna e mostram que os romanos dominavam uma tecnologia perdida por dois milênios.
Dois mil anos depois, o segredo que manteve de pé o Panteão e os portos de Roma finalmente foi revelado. Mais que uma lição de história, é a prova de que o passado ainda tem muito a ensinar ao futuro.

