Você já deve ter ouvido aquela frase sobre juntar as pedras do caminho para construir um castelo. Foi exatamente isso que Gilberto, morador de Bocaína do Sul, na Serra Catarinense, fez. Em vez de tijolos ou concreto, ele usou as pedras ferro da região e madeira da própria propriedade para erguer uma casa rústica e sustentável.
Quem é Gilberto e por que ele construiu uma casa de pedra?
Gilberto nasceu nas terras onde hoje mora. Após se separar, decidiu voltar para Bocaína do Sul e realizar um sonho antigo: uma moradia rústica, integrada à natureza. “Eu sempre tive um sonho de ter uma coisa bem bruta”, conta. Começou a catar pedras e a idealizar a construção, reaproveitando tudo o que existia no lugar.
O canal Vale Agrícola, com mais de 838 mil inscritos, registrou toda a história. No vídeo, Gilberto mostra cada detalhe da construção:
Qual foi a inspiração para a construção?
As taipas, tradicionais na serra, serviram de inspiração. Antigamente, essas estruturas de pedra eram usadas como cercas e corredores de tropas. Gilberto resgatou a técnica: “A taipa tem que ir ajeitando pedra por pedra, procurando as faces melhores”. O resultado são paredes com 30 centímetros de largura, perfeitas para o frio da região.

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Como a casa foi construída passo a passo?
Gilberto começou pela fundação, com pedras grandes. Depois ergueu as paredes e só então fez o telhado. As paredes externas são de pedra, e a parte interna de madeira tem 15 centímetros para isolamento térmico. A casa tem 64 metros quadrados (9×7 m).
Confira as principais características:
- Fundação – pedras grandes assentadas no solo.
- Paredes – pedras sobrepostas sem argamassa, com 30 cm.
- Telhado – estruturado com madeira local.
- Calçada e cercas – também de pedra bruta.
- Isolamento – pedra externa + madeira interna.
- Móveis – todos artesanais, feitos por ele.
Como é o interior da casa de pedra?
O destaque é o fogão à lenha, também de pedra, com chaminé redonda. A esposa de Gilberto cozinha nele diariamente: “Cozinhar no gás ninguém merece. Aqui faço quatro panelas, lá não consigo duas, e fica mais gostoso”. Naquele dia, ela preparava paçoca de pinhão, prato típico.
Quase todos os móveis foram feitos por Gilberto: mesa, bancos, estante, armário, pia e até a cama, com cabeceira de cipó torcido. A madeira veio do mato, forquilhas de morteira e planchas de pinheiro. Ele também tem uma oficina onde produz artesanato: cangas, pilões e relógios, tudo feito a facão.

Quanto custou a construção?
O gasto total foi de R$ 20 mil, incluindo madeira comprada e pequenas quantidades de cimento e areia para detalhes. A maioria veio do reaproveitamento. A tabela resume os custos:
Que sensações a casa proporciona?
Para Gilberto, o conforto é o mesmo, mas o valor sentimental é imenso. “Tem que gostar. Na verdade, todo lugar é bom. A gente é feliz”, resume. Cada pedra conta uma história de dedicação e amor pela terra. A casa é um símbolo de sustentabilidade e da capacidade de transformar recursos naturais em beleza e funcionalidade com orçamento mínimo.