Engenheiros da AVL Racetech desenvolveram um motor a hidrogênio de 2 litros turboalimentado que entrega 410 CV a 6.500 rpm e 500 Nm de torque. O segredo está na injeção de água no coletor de admissão, que elimina detonações e melhora a eficiência da queima. O teste reacende o debate sobre a viabilidade de converter motores a gasolina para hidrogênio sem custos extras.
Como funciona o motor a hidrogênio com injeção de água?
O propulsor desenvolvido pela AVL Racetech, especialista em tecnologias para competição (da Fórmula 1 à NASCAR), utiliza injetores que pulverizam água quente no coletor de ar de admissão. Essa técnica permite uma ignição mais homogênea do hidrogênio e evita autoignições prematuras ou detonações, problemas comuns na queima de H2 em motores de combustão.

O motor é um 2 litros turboalimentado que desenvolve 410 CV de potência a 6.500 rpm e entrega 500 Nm de torque entre 3.000 e 4.000 rpm. São números típicos de motores a gasolina de alta performance, mas alcançados com um combustível limpo.
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Qual é a vantagem da injeção de água no hidrogênio?
A água pulverizada no coletor reduz a temperatura do ar que entra na câmara de combustão. Como o ar frio tem densidade maior, aumenta-se o conteúdo de oxigênio, permitindo uma pressão média mais alta durante a combustão. Isso resulta em ganho de potência e torque, além de reduzir a emissão de óxidos de nitrogênio (NOx), altamente prejudiciais.
A técnica não é completamente nova. A BMW já testou sistema semelhante no passado, também para baixar temperaturas e controlar detonações. Mas a AVL Racetech agora apresenta números concretos de desempenho em um motor moderno.
O canal AVL RACETECH, que soma mais de 1,46 mil inscritos, mostrou os testes em dinamômetro e os detalhes da construção do motor:
É viável converter motores a gasolina para hidrogênio?
A AVL Racetech argumenta que converter motores de combustão a gasolina para hidrogênio é tecnicamente viável e não deveria representar custos adicionais significativos. Isso manteria a essência dos propulsores tradicionais (como o som característico) enquanto avança na descarbonização.
O método da injeção de água no coletor pode ser adaptado a projetos existentes, abrindo caminho para uma transição mais suave e econômica. A tabela abaixo resume as principais características do motor:
Essa tecnologia já foi testada antes?
A BMW trabalhou com conceito semelhante, pulverizando água no coletor para baixar a temperatura do ar e exercer controle sobre autoignições prematuras. Os alemães observaram que o sistema aumentava a potência, reduzia o consumo e diminuía a emissão de poluentes.
A novidade agora é a aplicação específica ao hidrogênio, com números de desempenho que rivalizam com motores a gasolina de alta performance. Os principais benefícios incluem:
- Ignição mais homogênea do hidrogênio.
- Controle de detonações sem perda de eficiência.
- Aumento da potência graças à maior densidade do ar frio.
- Redução de emissões de NOx, tornando o motor mais limpo.
- Potencial de conversão de motores existentes.
O que esperar desse motor no futuro?
A AVL Racetech planeja submeter o motor a testes em competições reais para validar sua confiabilidade em condições extremas. Se os resultados forem positivos, a tecnologia pode abrir caminho para uma nova geração de motores a combustão limpa, aproveitando a infraestrutura e o conhecimento já existentes na indústria automotiva.

O motor a hidrogênio com injeção de água prova que a combustão interna ainda tem futuro. Com 410 CV e 500 Nm, ele entrega desempenho de respeito enquanto queima um combustível limpo. Mais importante: mostra que é possível aproveitar a base instalada de motores a gasolina para uma transição mais rápida e barata. Resta saber se a indústria vai abraçar a ideia ou continuar apostando todas as fichas na eletrificação pura.