Considerado uma das maiores façanhas da engenharia moderna, o Túnel Base de São Gotardo não é apenas uma passagem através das montanhas, mas uma revolução no transporte europeu. Com 57 quilômetros de extensão e um custo faraônico de 12 bilhões de dólares, essa ferrovia subterrânea atravessa o maciço dos Alpes Suíços em profundidades que chegam a 2,3 quilômetros, desafiando a pressão geológica e temperaturas extremas para conectar o norte e o sul do continente.
A engenharia extrema perfurou 57 km de rocha para criar o Túnel Base de São Gotardo
O conceito por trás do Gotthard Base Tunnel é a criação de uma linha reta e plana na base das montanhas, eliminando as inclinações íngremes das rotas antigas. Para isso, foram escavados dois tubos paralelos de via única interligados por galerias de segurança a cada 325 metros. Somando todos os túneis de serviço, poços e acessos, o complexo totaliza mais de 152 km de escavações no coração da rocha.
A construção utilizou tuneladoras gigantescas (TBMs) para abrir 80% do trajeto em rocha dura, enquanto os 20% restantes exigiram detonações controladas em zonas geológicas instáveis. O resultado é uma via expressa onde trens de passageiros atingem 250 km/h e composições de carga pesada transitam com eficiência energética inédita.

Temperaturas de 50 °C e rochas esmagadoras desafiaram a construção do Túnel Base de São Gotardo
Trabalhar a 2.300 metros de profundidade trouxe riscos mortais. A pressão das montanhas acima gerava o fenômeno da rocha esmagadora, onde as paredes do túnel tentavam se fechar, exigindo reforços estruturais imediatos com concreto projetado e chumbadores de aço. Além disso, a temperatura natural da rocha ultrapassava os 50 °C, obrigando os engenheiros a instalarem sistemas de refrigeração industrial apenas para tornar o ambiente suportável para os 2.600 trabalhadores.
Para visualizar a magnitude dessa obra que levou 17 anos para ser concluída e entender como ela se compara a túneis brasileiros, o canal Construction Time, com 328 mil inscritos, produziu um documentário completo. O vídeo abaixo detalha cada etapa dessa construção histórica:

O sistema de segurança do Túnel Base de São Gotardo permite evacuação rápida em emergências
A segurança é a prioridade número um em um túnel dessa extensão. O projeto conta com sistemas redundantes para garantir a sobrevivência em caso de incêndio ou falhas, conforme detalhado em reportagens da época pela BBC News:
- Túneis independentes: Cada tubo funciona como rota de escape para o outro através de passagens transversais.
- Estações Multifuncionais (MFS): Duas grandes cavernas subterrâneas permitem que trens parem em emergências para evacuação imediata.
- Ventilação inteligente: Em caso de fumaça, o sistema cria pressão negativa no tubo afetado e injeta ar limpo na rota de fuga.
- Monitoramento constante: Sensores detectam calor e fumaça em tempo real ao longo de todo o trajeto.
Os números que definem a grandiosidade do túnel
O impacto econômico do Túnel Base de São Gotardo é imenso, permitindo transferir milhões de toneladas de carga das rodovias para os trilhos e agilizando o comércio entre a Alemanha e a Itália. Abaixo, os dados técnicos que consolidam essa obra como referência mundial: