Viajar de Nova York a Londres em três horas e meia não é mais um sonho de ficção científica. Após duas décadas sem voos comerciais supersônicos, a aviação se prepara para um retorno triunfal. O Boom Overture, jato desenvolvido pela Boom Supersonic, acaba de ter seus voos de teste confirmados para 2026 e já acumula mais de 130 encomendas de gigantes como United, American e Japan Airlines. A promessa é clara: cortar pela metade o tempo das longas rotas internacionais com tecnologia mais limpa e silenciosa que a do antigo Concorde.
Por que o Boom Overture é diferente do Concorde?
O Concorde era rápido, mas tinha problemas crônicos: consumia muito combustível, era extremamente barulhento e operava com custos proibitivos. O Boom Overture foi desenhado para resolver exatamente esses pontos. Ele voa a Mach 1.7, cerca de 2.100 km/h, um pouco abaixo dos Mach 2 do Concorde, mas com ganhos enormes em eficiência. O motor Symphony, desenvolvido especialmente para o projeto, é otimizado para baixo ruído e emissões reduzidas, podendo operar com combustíveis sustentáveis de aviação, os chamados SAF.
Outra diferença crucial é a aerodinâmica. O Overture foi projetado para não produzir o temido estrondo sônico em sobrevoos terrestres, algo que limitava o Concorde a rotas exclusivamente oceânicas. Isso significa que, no futuro, rotas continentais também poderão se beneficiar da velocidade supersônica, desde que a regulamentação da FAA e da EASA acompanhe a nova tecnologia.

Leia também: Esqueça a primeira classe! A vida a bordo de um jato privado de US$ 80 milhões
Como o Overture atinge 2.100 km/h sem estrondo sônico?
A eliminação do estrondo sônico em terra é um dos maiores avanços do projeto. O formato da fuselagem e das asas foi estudado em túneis de vento e simulações computacionais para suavizar as ondas de pressão que se acumulam na ponta do avião. Em vez de um estrondo seco e violento, o Overture produz um ruído mais difuso, classificado como “sonic thump” pelas agências reguladoras.
Os testes com o demonstrador XB-1, que quebrou a barreira do som em 2025, validaram esses modelos. Os dados coletados estão sendo usados para ajustar o projeto final do Overture, que terá 64 a 80 assentos em configuração totalmente executiva ou com classes divididas. O alcance estimado é de 7.870 km, suficiente para cobrir rotas como Tóquio-Seattle em seis horas ou Los Angeles-Sydney em oito, algo impensável para a aviação subssônica atual.

Quais as especificações técnicas do novo jato supersônico?
O Boom Overture é uma máquina de precisão, construída com materiais compostos e motores de última geração. Abaixo, os principais números que definem a aeronave:
- Velocidade de cruzeiro: Mach 1.7 (cerca de 2.100 km/h em altitude)
- Alcance máximo: 7.870 km, cobrindo mais de 600 rotas comerciais
- Capacidade: 64 a 80 passageiros, dependendo da configuração
- Motores: 4 turbofans Symphony, desenvolvidos pela Boom em parceria com fornecedores
- Comprimento: aproximadamente 60 metros
- Envergadura: 32 metros (asas em delta otimizadas para voo supersônico)
- Preço estimado por trecho: US$ 1.700, similar à executiva atual
O Overture realmente consegue superar o Concorde em eficiência?
Para entender a evolução, vale comparar o Overture com seu antecessor mais famoso. A tabela abaixo resume as diferenças objetivas:
Embora o Concorde fosse ligeiramente mais rápido, o Overture ganha em eficiência energética, emissões e, principalmente, em custo operacional. A expectativa é que o preço das passagens seja competitivo com a classe executiva atual, algo que o Concorde jamais conseguiu devido ao consumo exorbitante de combustível e à manutenção complexa.

Quando o Boom Overture começa a voar com passageiros?
O cronograma da Boom Supersonic está apertado, mas em linha com o que a indústria espera. A fábrica em Greensboro, na Carolina do Norte, já iniciou a produção dos primeiros componentes. O primeiro protótipo do Overture deve ser montado ainda em 2026, com os voos de teste começando no segundo semestre. A certificação junto às agências reguladoras está prevista para 2028 ou 2029, dependendo dos resultados dos testes do motor Symphony, que entram em fase crítica neste ano.
Se tudo correr como planejado, a United Airlines, que já encomendou 15 unidades, deverá ser uma das primeiras a operar o jato em rotas como Newark–Heathrow e San Francisco–Tóquio. A Japan Airlines e a American Airlines também estão na fila, cada uma com encomendas firmes. A volta do voo supersônico comercial, depois de mais de 20 anos, não é mais uma questão de “se”, mas de “quando”. E 2026 é o ano em que essa promessa finalmente decola.

