No coração do deserto de Taklamakan, na região de Xinjiang, a China construiu a maior usina fotovoltaica do mundo. São 5 milhões de painéis solares formando um verdadeiro mar de vidro que se estende por quilômetros, tão grande que pode ser visto do espaço. O projeto não apenas gera energia limpa em escala nacional, mas também transforma a economia local e ajuda a combater a desertificação.
Onde fica e qual a dimensão da usina?
A usina está localizada no deserto de Taklamakan, em Xinjiang, noroeste da China. A região é uma das mais áridas do país, mas também uma das mais ensolaradas, o que a torna ideal para a geração de energia solar. Com 5 milhões de painéis instalados, a capacidade instalada já supera a de qualquer outro parque solar do planeta.
A área coberta pelos painéis é tão extensa que forma uma mancha visível da órbita terrestre, algo que antes só era possível com grandes cidades ou reservatórios. A usina é um marco da engenharia e da ambição chinesa em energias renováveis.

Como os painéis solares ajudam a combater a desertificação?
Além de gerar energia, o projeto tem um efeito colateral benéfico: os painéis criam sombra e reduzem a evaporação da água no solo. Isso estabiliza a terra e previne a erosão, um problema grave em regiões desérticas.
A água que escorre da limpeza dos painéis também é reaproveitada para irrigar a terra abaixo, permitindo o crescimento de plantas resistentes. O resultado é uma recuperação gradual do solo, que antes era improdutivo.
Qual o impacto econômico e social na região?
A usina gerou milhares de empregos diretos e indiretos. Um jovem trabalhador local, que preferiu não se identificar, contou à CCTV: “Comecei a trabalhar aqui há dois anos, logo após a graduação. O pagamento é bastante bom para a região e já consegui comprar um apartamento em Aksu e um carro. Agora estou me preparando para casar.”
Além disso, a presença da usina atraiu indústrias de fabricação de painéis e equipamentos para a região, criando um polo de energia limpa. Cidades como Wuxi já se beneficiaram de modelos semelhantes, e a expectativa é que Xinjiang se torne um centro de tecnologia verde.

Como a usina se encaixa nas metas de carbono da China?
O governo chinês estabeleceu metas ambiciosas: atingir o pico de emissões de carbono até 2030 e a neutralidade até 2060. Xinjiang, com seus abundantes recursos solares e eólicos, é peça-chave nessa estratégia.
A usina fotovoltaica contribui diretamente para a geração de energia limpa em larga escala, reduzindo a dependência de carvão. Ela também serve como vitrine tecnológica para outros países que buscam soluções sustentáveis.
A tabela abaixo compara a capacidade da usina com outras grandes usinas do mundo:
Por que essa usina é considerada um modelo para outras regiões?
O sucesso do projeto em Xinjiang não se deve apenas à escala, mas à integração de benefícios ambientais, sociais e econômicos. Os principais ganhos incluem:
- Estabilização do solo e combate à desertificação.
- Geração de empregos e desenvolvimento local.
- Atração de indústrias de tecnologia limpa.
- Redução de emissões e cumprimento de metas climáticas.
Esse modelo, no entanto, não pode ser simplesmente copiado. Como alertam os especialistas, é preciso adaptá-lo às condições locais, ao nível de apoio governamental e à economia de cada região. Mas a usina de Xinjiang prova que é possível transformar desertos em fontes de energia e desenvolvimento sustentável.
Para entender melhor a magnitude da obra, o canal CCTV Video News Agency, com mais de 717 mil inscritos, produziu uma reportagem mostrando os bastidores da construção e os depoimentos dos trabalhadores. Confira no vídeo abaixo:
O futuro da energia solar na China
A usina de Xinjiang é apenas o começo. O governo chinês planeja expandir ainda mais a capacidade solar no deserto, combinando-a com parques eólicos e sistemas de armazenamento de energia. A meta é que, até 2030, as renováveis representem uma parcela majoritária da matriz energética do país.
Com projetos como esse, a China não apenas garante sua própria segurança energética, mas também exporta conhecimento e tecnologia para o mundo. O mar de vidro no deserto é um símbolo do que a engenharia pode alcançar quando aliada à sustentabilidade.

