Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) desenvolveram um sistema construtivo que promete enterrar de vez o tijolo. A chamada Casa PET é uma residência modular de 39 m² montada em cerca de 48 horas, usando painéis pré-fabricados com garrafas plásticas no núcleo estrutural, concreto armado e base radier. Rápida, leve e sustentável, a proposta quer revolucionar a construção de moradias populares.
Como funciona a Casa PET desenvolvida pela UFSC?
O sistema foi elaborado no Laboratório de Sistemas Construtivos (Labsisco) da UFSC e segue a lógica da construção modular: os painéis são fabricados fora do canteiro e chegam prontos para posicionamento, fixação e travamento. A planta de 39 m² prevê dois dormitórios, banheiro, cozinha integrada à sala, varanda e área de serviço.
Em vez de levantar paredes peça por peça, o método utiliza painéis que funcionam como vedação e, ao mesmo tempo, como parte estrutural, substituindo blocos cerâmicos, de concreto ou tijolos convencionais. Segundo o coordenador do laboratório, Fernando Barth, a montagem acelerada é viável porque os blocos chegam prontos ao local.

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O que tem dentro dos painéis com garrafas PET?
O núcleo do painel é formado por colunas de garrafas plásticas de PET preparadas com corte e encaixe, criando uma sequência contínua no interior da peça. A fabricação começa em um molde com uma camada inicial de concreto de cerca de 2 centímetros. Sobre ela, são dispostas as garrafas, seguidas pela colocação da armadura de aço e pelo preenchimento final com concreto.
O Portal Virtuhab, ligado à UFSC, descreve um processo semelhante em argamassa armada, com camada de 20 milímetros em uma das faces, reforços metálicos no perímetro e fechamento que leva a espessura total do painel a aproximadamente 14 centímetros. As garrafas podem ser usadas invertidas para facilitar a passagem de instalações elétricas e hidráulicas, que já saem embutidas da fábrica.

Quais são as dimensões e como é feita a montagem?
Os painéis têm larguras padronizadas de 65 e 85 centímetros e altura de 265 centímetros. Eles são posicionados sobre uma base do tipo radier, com escoramento provisório até a amarração final. As juntas de cerca de 10 milímetros acomodam dilatações ou retrações do conjunto. O travamento superior é feito com uma chapa metálica perfurada parafusada ao longo de todo o perímetro, integrando as paredes e estabilizando a estrutura.
Na cobertura, painéis horizontais são posicionados sobre os verticais e unificados por concretagem do capeamento superior, com espessura de 4 centímetros. A tabela abaixo resume as principais características do sistema:
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Quais são as vantagens do sistema além da rapidez?
A UFSC aponta ganhos importantes:
- Desempenho térmico superior ao de soluções convencionais.
- Menor peso das estruturas, facilitando transporte e montagem.
- Reaproveitamento de resíduos, com as garrafas PET desviadas de aterros.
- Instalações embutidas, reduzindo cortes e retrabalho no canteiro.
- Escalabilidade, já que o sistema pode receber variações de metragem e arranjo.
Em um dos registros de divulgação da Pesquisa FAPESP, a arquiteta Thaís Lohmann Provenzano resumiu: “A leveza e a rigidez dos painéis pré-fabricados facilitam a fabricação, o transporte e a montagem das habitações”.
A proposta, que começou como pesquisa acadêmica, agora busca aplicação prática. Se depender da UFSC, o tijolo pode mesmo ficar no passado. Com 48 horas de montagem, reaproveitamento de plástico e um custo potencialmente baixo, a Casa PET quer mostrar que é possível construir de forma diferente. Resta saber se o mercado e as políticas públicas vão abraçar a ideia.
