Mesmo em um ambiente marcado por oscilações econômicas e mudanças no comportamento do consumidor, o mercado de franquias mantém trajetória de crescimento no Brasil e segue como uma alternativa relevante para investidores que buscam previsibilidade e modelos de negócio estruturados. Dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF) mostram que o setor encerrou 2024 com faturamento superior a R$ 240 bilhões, desempenho acima do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), além de expansão no número de redes e unidades em operação.
O avanço é impulsionado, principalmente, por formatos mais enxutos, operações digitais e redes que oferecem suporte operacional mais robusto ao franqueado. Esse cenário reacende uma dúvida recorrente entre empreendedores: ainda vale a pena investir em uma franquia em 2026?
Para especialistas, a resposta passa por uma análise criteriosa de três fatores centrais: solidez da marca, capacidade de transferência de know-how e escalabilidade do modelo de negócios. Redes que conseguem equilibrar padronização com acompanhamento próximo tendem a reduzir riscos e acelerar o retorno sobre o investimento.
Segundo Kleber Amora, especialista em estratégia empresarial e CEO da Berry Consultoria, o aumento do interesse por franquias está diretamente relacionado à busca por previsibilidade. “Em momentos de incerteza, o investidor procura modelos já testados. A franquia oferece um caminho mais seguro porque transfere conhecimento, reduz erros operacionais e encurta a curva de aprendizado. O que define o sucesso não é apenas a marca, mas o quanto o franqueado recebe de suporte para operar com consistência”, afirma.
Dados recentes da ABF indicam uma mudança no perfil do franqueado brasileiro. Cresce a participação de profissionais em transição de carreira, jovens empreendedores e investidores interessados em negócios digitais ou com baixo custo operacional. Modelos home based e franquias de serviços, especialmente nas áreas de consultoria, educação corporativa, bem-estar e soluções empresariais, têm se destacado pela escalabilidade e pelo menor investimento inicial.
Outro fator relevante é a taxa de sobrevivência do modelo. Segundo o Sebrae, mais de 50% das empresas independentes encerram suas atividades nos primeiros cinco anos. No franchising, esse índice é significativamente menor, reflexo de processos padronizados, suporte contínuo e maior orientação estratégica.
Esse movimento também se reflete na expansão de redes nacionais. Nos últimos três anos, a Berry ampliou de forma consistente sua base de franqueados, crescendo por três ciclos consecutivos até alcançar 100 escritórios franqueados distribuídos pelo país. O desempenho reforça o apetite do mercado por franquias de serviços, especialmente aquelas que operam em formato home based e oferecem retorno mais rápido sobre o investimento.
“O mercado tem buscado modelos mais enxutos, com implementação rápida e suporte próximo. Franquias de serviços permitem uma operação estruturada sem grandes custos fixos, o que se torna particularmente relevante quando o empreendedor busca equilíbrio financeiro no curto prazo”, acrescenta Amora.
Para 2026, a ABF projeta a continuidade desse movimento, com destaque para os segmentos de serviços, educação, saúde, bem-estar e consultorias empresariais. A demanda por soluções acessíveis, digitais e escaláveis deve seguir sustentando a expansão do setor. Ainda assim, especialistas alertam que a decisão de investir em franquias exige análise detalhada.
“A franquia pode ser um excelente caminho, mas não é automática. É fundamental avaliar o histórico da rede, a transparência dos indicadores e a capacidade real de transferência de conhecimento. Quando existe alinhamento entre o perfil do investidor e o modelo de operação, o potencial de crescimento é significativamente maior”, conclui o especialista.

