A temporada de resultados do quarto trimestre de 2025 segue trazendo sinais importantes para a leitura do mercado sobre 2026. Empresas de infraestrutura, serviços financeiros e do agronegócio divulgaram seus números, permitindo ao investidor comparar modelos de negócios distintos em um mesmo ambiente de juros ainda elevados.
A Motiva (MOTV3), antiga CCR, registrou lucro líquido ajustado de R$ 606 milhões no quarto trimestre de 2025, avanço de 68,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Segundo a companhia, o desempenho foi impulsionado pela reorganização do portfólio de concessões. Entre as medidas, destacam-se o encerramento da operação de barcas no Rio de Janeiro e a repactuação de contratos de concessionárias em São Paulo e no Mato Grosso do Sul.
O resultado operacional também avançou. O Ebitda ajustado somou R$ 2,5 bilhões, crescimento anual de 25,2%, enquanto a margem Ebitda subiu 9,2 pontos percentuais, para 62,4%. A melhora operacional reforça a percepção do mercado de que empresas de concessão continuam sendo vistas como ativos defensivos, com geração de caixa previsível.
BB Seguridade reforça consistência operacional e dividendos
A BB Seguridade (BBSE3) apresentou lucro líquido ajustado de R$ 2,3 bilhões no quarto trimestre de 2025, alta de 5,1% na comparação anual. No acumulado do ano, o lucro alcançou R$ 9,1 bilhões, crescimento de 11,4% frente a 2024.
A companhia atribui o desempenho à estabilidade do modelo de negócios, baseado em seguros, previdência e capitalização, com receitas recorrentes mesmo em cenário de juros elevados.
O resultado operacional combinado das empresas do grupo totalizou R$ 7,0 bilhões em 2025, avanço de 2,1% sobre o ano anterior. Um dos destaques foi a queda da sinistralidade de seguros, que atingiu o menor patamar recente, indicando melhora na qualidade da subscrição de risco e no controle de perdas — fator observado pelo mercado por apontar rentabilidade operacional.
A empresa também aprovou a distribuição de R$ 4,95 bilhões em dividendos referentes ao segundo semestre de 2025, elevando o total distribuído no ano para cerca de R$ 8,7 bilhões, equivalente a 96,7% do lucro anual.
O pagamento ocorrerá em até 60 dias após a divulgação do resultado, com data-com em 12 de fevereiro de 2026 e ações negociadas ex-dividendos a partir de 13 de fevereiro de 2026.
São Martinho cresce no lucro, mas margens recuam
No setor sucroenergético, a São Martinho (SMTO3) reportou resultados do terceiro trimestre da safra 2025/26 com lucro líquido de R$ 424,1 milhões, alta de 168,5% frente ao mesmo período da safra anterior.
Apesar do avanço do lucro, os indicadores operacionais vieram mais fracos. O Ebitda ajustado caiu 25,6%, para R$ 787,1 milhões, enquanto a receita líquida recuou 13,6%, para R$ 1,593 bilhão.
O desempenho sugere impacto de preços e margens do açúcar e do etanol sobre a operação, evidenciando a sensibilidade do setor ao ciclo de commodities e ao câmbio — variáveis acompanhadas de perto pelo mercado.












