A Taurus projeta uma melhora relevante na sua dinâmica operacional nos Estados Unidos e um avanço estratégico no mercado global de defesa. Em entrevista exclusiva ao portal BM&C News, o CEO global Salesio Nuhs, afirmou que a recente redução das tarifas no mercado norte-americano deve gerar efeitos diretos tanto no caixa quanto na recomposição de receitas que ficaram represadas ao longo de 2025. “Esse valor será restituído ao caixa e refletirá positivamente nos resultados da companhia”, afirmou, ao comentar a recuperação de aproximadamente US$ 18 milhões pagos em taxas consideradas indevidas pela Suprema Corte dos Estados Unidos.
Além do impacto direto no caixa, a normalização tarifária permite a retomada de um importante fluxo de receita. Durante o período em que as tarifas chegaram a 50%, a companhia interrompeu a exportação de armas longas para os Estados Unidos — segmento que não pode ser transferido para produção local.
“A ausência das armas longas impactou o resultado em aproximadamente 18 a 20 milhões de dólares em receita. Com a queda da taxa, esse valor retornará diretamente à operação”, disse.
A retomada dessas exportações tende a recompor parte relevante da receita já no curto prazo, contribuindo para melhora operacional ao longo de 2026.
Estratégia preservou market share nos EUA
Mesmo diante da pressão tarifária, a Taurus optou por não repassar integralmente os custos ao consumidor final, evitando perda de competitividade no seu principal mercado.
“A empresa não reajustou os preços quando ocorreram as taxações de 10% e 40%. Apesar de ter prejudicado o resultado da companhia, essa estratégia evitou restrições no mercado por questões de preço, mantendo a competitividade”, afirmou.
A decisão priorizou a manutenção de market share, ainda que com impacto nas margens no curto prazo — movimento que agora tende a ser revertido com o novo ambiente tarifário.
M&A pode mudar posicionamento global da companhia
No campo estratégico, a Taurus avança em uma possível aquisição que pode alterar seu posicionamento no mercado internacional. A negociação com a empresa turca Mertsav é vista como um passo relevante na entrada no segmento militar.
Segundo Nuhs, a operação amplia o portfólio sem gerar competição interna.
“O portfólio militar é diferente. Eu vou concorrer só com os outros concorrentes, porque eu não tenho esse portfólio”, explicou.
A movimentação ocorre em um contexto de aumento estrutural da demanda global por equipamentos de defesa, impulsionada por tensões geopolíticas e necessidade de recomposição de estoques.
“Existe hoje que, mesmo que todos os conflitos cessassem, no mínimo demoraria 10 anos para repor os estoques estratégicos de material de defesa”, disse.
Resultados reforçam resiliência mesmo sob pressão
Os dados mais recentes da companhia mostram que a Taurus manteve desempenho consistente mesmo sob um cenário adverso no seu principal mercado.
Em 2025, a empresa registrou:
- Receita líquida de R$ 1,463 bilhão
- Lucro bruto de R$ 502,2 milhões
- Margem bruta de 34,3%
- EBITDA de R$ 106 milhões
Os resultados foram alcançados em um contexto de tarifas de até 50% nos Estados Unidos, o que reforça a capacidade de adaptação operacional da companhia. A combinação entre a normalização tarifária e o avanço estratégico no segmento militar coloca a Taurus diante de um novo ciclo potencial de crescimento.
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