A Polícia Federal realizou nesta quarta-feira (25) uma operação que tem como alvo pessoas suspeitas de integrar uma organização criminosa especializada em fraudes bancárias contra a Caixa Econômica Federal. Entre os investigados está Rafael Góis, CEO e sócio do Grupo Fictor.
Além de sua atuação como principal executivo da holding, Góis também exerce o cargo de presidente do conselho da Fictor Alimentos, braço do grupo com ações listadas na B3, a Bolsa de Valores do Brasil.
Em nota, a defesa do empresário informou que, assim que tiver acesso ao conteúdo da investigação, irá prestar os esclarecimentos necessários às autoridades competentes com o objetivo de elucidar os fatos. Também informou que apenas o celular foi apreendido.
Rafael Góis e a trajetória no mercado financeiro
Segundo declarações públicas do próprio empresário, sua jornada no mercado financeiro teve início aos 16 anos. No entanto, o perfil profissional de Góis na rede LinkedIn registra apenas experiências relacionadas ao Grupo Fictor.
O executivo fundou a holding em 2007, alguns anos após concluir a graduação em Administração de Empresas pela Universidade Candido Mendes, no Rio de Janeiro. Seu currículo também inclui certificação de MBA pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e participação em programa de extensão na Harvard Business School.
Em descrição institucional divulgada em seu perfil, Góis afirma possuir mais de 25 anos de experiência nos setores industrial, financeiro e imobiliário.
Tentativa de aquisição do Banco Master
O nome do Grupo Fictor ganhou maior visibilidade no mercado em novembro de 2025, quando a empresa anunciou um aporte imediato de R$ 3 bilhões no Banco Master. A operação seria realizada em parceria com um consórcio de investidores dos Emirados Árabes Unidos.
O plano previa a aquisição da totalidade das ações detidas por Daniel Vorcaro, então acionista controlador da instituição financeira, além da indicação de um novo presidente para o banco.
No entanto, a transação não avançou. Um dia após o anúncio do investimento, o Banco Central determinou a liquidação do Banco Master, o que impediu o processamento do negócio pelos órgãos reguladores, incluindo o próprio BC e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Recuperação judicial e crise de liquidez
Após o insucesso da operação envolvendo o Banco Master, o Grupo Fictor anunciou, em 2 de fevereiro de 2026, o pedido de recuperação judicial.
De acordo com informações divulgadas pela companhia, os compromissos financeiros somavam cerca de R$ 4 bilhões. A holding atribuiu a crise de liquidez justamente às consequências da tentativa de aquisição da instituição financeira no fim de 2025.
O desdobramento das investigações conduzidas pela Polícia Federal e seus eventuais impactos sobre a estrutura societária e operacional do grupo passam agora a ser monitorados por investidores e analistas do mercado.












