A possibilidade de investimentos da Petrobras na Venezuela começa a entrar no radar dos investidores diante da reaproximação do país caribenho com os Estados Unidos e da abertura gradual para empresas estrangeiras no setor de petróleo. Para Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, a leitura inicial do mercado tende a ser positiva.
Segundo o especialista, a principal questão não está na existência de reservas, mas na capacidade de exploração.
“A reserva existe, é uma das maiores do mundo. O que falta de fato é estrutura e investimento. A Petrobras tem expertise e não estaria entrando em um negócio desconhecido”, afirmou.
De acordo com Cruz, a estatal brasileira não precisaria provar capacidade operacional, já que possui histórico consolidado em exploração offshore e em ambientes complexos.
Petrobras na Venezuela: investidores podem reagir bem
O estrategista avalia que, caso o movimento avance, o impacto pode aparecer principalmente no médio prazo, com potencial aumento de receitas para a companhia e para outras petroleiras globais.
“Se a Venezuela voltar a produzir mais, empresas de vários países podem elevar receita ao longo do tempo. A Petrobras poderia se beneficiar desse processo.”
Ele destaca que a estatal já vem ampliando presença internacional, com iniciativas recentes envolvendo África, o que reduz a percepção de risco de internacionalização.
Além disso, a proximidade geográfica seria um fator favorável em comparação a outros projetos no exterior.
Geopolítica será o fator decisivo
Apesar do potencial econômico, o principal ponto de atenção continua sendo político. Para Cruz, a questão central não é necessariamente a democracia no país, mas a previsibilidade institucional.
“Mais importante do que eleições é estabilidade. Os Estados Unidos querem garantir que empresas consigam operar sem interferências. O objetivo final é segurança para os negócios.”
Segundo ele, quanto mais a Venezuela se reintegrar ao comércio internacional, maiores tendem a ser os benefícios regionais, incluindo redução de instabilidade migratória e aumento do comércio com países vizinhos.
Margem equatorial entra na equação
O tema também se conecta ao cenário doméstico da Petrobras. A empresa depende de novas fronteiras exploratórias para sustentar produção no longo prazo, e a margem equatorial aparece como peça estratégica.
Cruz explica que recentes interrupções em estudos sísmicos e questionamentos ambientais aumentaram a cautela dos investidores.
“Se houver restrições permanentes, isso pode exigir revisão no valor justo da Petrobras, porque reduz o potencial de receita e lucro futuro.”
A diretoria da companhia já indicou que as reservas atuais garantem conforto até o início da próxima década, mas novos projetos serão necessários para manter a produção após esse período.
O que o mercado observa
Para investidores, a discussão sobre a Petrobras na Venezuela passa a ser mais ampla do que apenas um projeto específico. Ela envolve três variáveis principais:
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acesso a novas reservas de petróleo
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riscos geopolíticos
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capacidade de reposição de produção futura
Caso a abertura venezuelana se consolide com estabilidade institucional, o movimento pode ser interpretado como expansão estratégica da estatal brasileira.












