O mercado de capitais brasileiro ganha uma nova porta de entrada. Previsto para começar agora em março, o Regime Fácil, da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), foi desenhado para simplificar e baratear o acesso de pequenas e médias empresas ao financiamento via mercado, criando um caminho regulatório mais compatível com a realidade das PMEs.
A lógica é atacar um gargalo conhecido: captar recursos no mercado por emissão de ações ou por instrumentos regulados, costuma exigir estrutura, custos e obrigações de divulgação que afastam empresas menores. O novo regime busca reduzir essa fricção com regras proporcionais, processos mais simples e exigências ajustadas ao porte das companhias.
Voltado a empresas com faturamento anual de até R$ 500 milhões, o Regime Fácil prevê simplificações em etapas de oferta e divulgação de informações, mirando captações menores e mais frequentes, com menor complexidade em comparação ao modelo tradicional.
Não é só IPO
Rodrigo Fiszman, presidente do Conselho da BEE4, lembra que há cerca de 380 mil PMEs no Brasil. Nem todas, porém, querem ou conseguem acessar o mercado de capitais. Dentro desse conjunto, aproximadamente 33 mil se enquadram nos requisitos do programa. “É um universo muito grande. Obviamente, não são todas que vão acessar, mas quando olhamos os números no mercado internacional, falando do longo prazo, milhares de companhias listadas no mercado de capitais, para o tamanho do Brasil, é algo que tem fundamento”, opina Fiszman para quem o Brasil ainda trata “abertura de capital” como sinônimo exclusivo de emissão de ações — quando, na prática, o acesso ao mercado pode ocorrer também pela emissão de títulos de dívida.
Preparação antes do acesso
Se o Regime Fácil cria o trilho regulatório, o desafio seguinte é operacional: preparar as empresas para cumprir o padrão mínimo de governança, transparência e organização financeira que o mercado exige — mesmo em um ambiente simplificado.
É nessa etapa que entra o Rota Fácil, programa idealizado pela BEE4 e BM&C News como parte de uma estratégia de aceleração e seleção. A proposta é funcionar como um “pré-mercado” para PMEs: as empresas passam por avaliação, orientação e exposição pública de critérios que, normalmente, ficam restritos a reuniões fechadas com assessores e investidores.
“O empresário precisava ter esse acesso pro mercado de capitais. Na BEE4 todo o nosso propósito é conseguir facilitar esse caminho, dar todo o suporte necessário, de uma forma que o empresário entenda e vai conseguir ter conforto de navegar esses novos mares”, diz Patrícia Stille, CEO e cofundadora da BEE4.
Rota Fácil: a sequência prática para viabilizar listagens
O Rota Fácil não é apenas um conteúdo de TV: ele foi estruturado como uma etapa complementar ao objetivo final do programa — viabilizar a listagem de até 10 empresas. A dinâmica combina seleção, preparo e escrutínio público, conectando a jornada real de governança e captação ao novo ambiente regulatório que começa a operar com o Regime Fácil.
A estreia do Rota Fácil na BM&C News é nesta quarta-feira, 4 de março, às 22h30.













