Noticiário corporativo reúne prorrogação de prazo para free float da Marisa, emissão de CPR-F pela SLC Agrícola e aval do Cade para aquisição da Desktop pela Claro
A B3 prorrogou até 31 de dezembro de 2027 o prazo para que a Marisa se adeque ao percentual mínimo de ações em circulação no mercado, o chamado free float, exigido pelas regras do Novo Mercado. O prazo anterior terminava em 31 de dezembro de 2026.
Segundo a companhia, a extensão foi concedida pela B3 de forma automática e extraordinária, considerando o cenário macroeconômico. A varejista informou ainda que não houve necessidade de pedido específico de prorrogação.
Na prática, a decisão dá mais tempo para a Marisa ajustar sua base acionária às exigências do segmento de listagem em que está inserida.
O free float representa a parcela de ações disponível para negociação no mercado. A regra é acompanhada por investidores porque está ligada à liquidez dos papéis, à dispersão acionária e aos compromissos de governança das empresas listadas.
Para a Marisa, a prorrogação reduz uma pressão de curto prazo em meio ao processo de reorganização da companhia e ao acompanhamento do mercado sobre sua estrutura financeira e operacional.
SLC Agrícola aprova emissão de R$ 515,5 milhões em CPR-F
A SLC Agrícola aprovou a realização de sua primeira emissão de cédulas de produto rural com liquidação financeira, as CPR-F.
A operação será escritural, em série única, no valor total de R$ 515,5 milhões.
Os títulos terão prazo de sete anos, contados da data de emissão, com vencimento em 15 de setembro de 2033.
A remuneração prevista será equivalente a 95,5% da variação acumulada da Taxa DI.
O valor nominal unitário das CPR-F será amortizado em duas parcelas iguais. O primeiro pagamento está previsto para 15 de setembro de 2031, e o último ocorrerá na data de vencimento dos títulos.
A emissão chama atenção por envolver uma modalidade de financiamento ligada ao agronegócio. A CPR-F permite que empresas do setor captem recursos com liquidação financeira, sem necessariamente envolver a entrega física de produtos agrícolas.
No caso da SLC, a operação reforça o uso de instrumentos de mercado para financiar a estrutura da companhia, em um setor que demanda capital intensivo para custeio, expansão e planejamento de longo prazo.
Cade aprova compra da Desktop pela Claro sem restrições
A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Cade, aprovou sem restrições a compra da Desktop pela Claro.
O parecer do órgão apontou que a maior sobreposição entre as duas companhias ocorre no mercado de banda larga fixa, abrangendo 198 municípios.
Apesar disso, a análise considerou reduzida a probabilidade de exercício unilateral de poder de mercado após a operação, mesmo nas cidades em que a participação conjunta das empresas será mais significativa.
A Desktop tem 1,2 milhão de clientes em 198 cidades do Estado de São Paulo. A empresa nasceu em 1997, em Sumaré, recebeu aporte da HIG Capital em 2020 e abriu capital na Bolsa em 2021.
A transação com a Claro foi celebrada em março, pelo valor de R$ 4 bilhões. Desse total, R$ 2,4 bilhões correspondem a ativos, enquanto R$ 1,6 bilhão se refere à dívida líquida que será assumida.
Com o negócio, a Claro ficará com 84 milhões de ações ordinárias da Desktop, equivalentes a 73% da operadora. Em uma segunda etapa, a companhia deverá fazer uma oferta para comprar os 27% restantes das ações no mercado.
A operação também já havia recebido anuência prévia da Anatel em maio.
