Investidores da Fictor relataram nas redes sociais dificuldades para realizar o resgate de recursos aplicados na empresa. Os comentários se intensificaram nos últimos dias e levantaram questionamentos sobre prazos de pagamento, liquidez dos produtos e comunicação com os clientes.
Nos comentários, diversos usuários afirmam que estão há semanas ou meses aguardando o recebimento dos valores investidos, sem sucesso. Um dos investidores relata ter aplicado cerca de R$ 200 mil e solicitado o resgate ainda em outubro, sem ter recebido qualquer pagamento até o momento.

“Até agora, nada foi pago. A falta de clareza e transparência tem gerado muita angústia, principalmente porque precisamos honrar compromissos financeiros”, escreveu.
Outros investidores relatam situações semelhantes.
“Tenho grana retida lá. Não pagaram os dividendos e o principal também está retido”, comentou outro usuário.

Há ainda relatos de investidores que afirmam ter perdido cerca de R$ 50 mil e não receberam os valores mesmo após o vencimento do prazo contratual.
Em alguns comentários, clientes cobram respostas públicas da empresa e questionam o fechamento de canais de comunicação nas redes sociais.
“Nós investidores estamos aguardando uma resposta real de vocês. Por que fecharam a página?”, escreveu um usuário.
O caso Fictor: relato direto de investidor
Em contato com a BM&C News, um investidor que pediu anonimato afirmou que solicitou formalmente o resgate após o vencimento da cláusula contratual de saída, de 60 dias, mas não recebeu os recursos.
Segundo ele, representantes da empresa chegaram a admitir dificuldades de liquidez e prometeram que os pagamentos seriam normalizados com a entrada de um novo investidor, o que não ocorreu até o momento.
“O contrato já está em mora e, até agora, não houve nenhum recebimento por minha parte. Não há retorno formal da empresa e toda vez que solicitamos esclarecimentos, não somos atendidos”, afirmou.
O investidor também relatou que há um ambiente de crescente preocupação entre os clientes, com formação de grupos informais de credores e discussões sobre medidas judiciais, diante do temor de perda do capital investido.
Como funciona o modelo de investimento
A Fictor afirma que suas operações são estruturadas por meio de Sociedades em Conta de Participação (SCP), modalidade prevista nos artigos 991 a 996 do Código Civil. Nesse modelo, o investidor realiza um aporte de recursos e passa a participar dos resultados do negócio, podendo obter lucros ou prejuízos.
Diferentemente de fundos de investimento ou produtos bancários tradicionais, as SCPs não estão submetidas à fiscalização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e não contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mecanismo que protege investidores em aplicações financeiras oferecidas por instituições financeiras reguladas.
Na prática, isso significa que o investimento em SCP envolve risco direto do negócio, sem garantias institucionais de devolução do capital.
Posicionamento da Fictor na íntegra:
Procurada pela BM&C News, a Fictor informou que já se manifestou publicamente sobre o tema em diferentes ocasiões e reforçou que suas operações ocorrem por meio de Sociedades em Conta de Participação, modalidade prevista no Código Civil e fora da regulação da CVM.
Segundo a empresa, ao ingressar em uma SCP, o investidor realiza um aporte de recursos e passa a participar dos resultados do negócio, estando sujeito tanto a ganhos quanto a perdas. A Fictor também ressaltou que esse tipo de operação não possui garantias como as oferecidas por produtos financeiros tradicionais cobertos pelo FGC.
A empresa também afirmou que já fez comunicado aos clientes, informando que seus problemas de liquidez são momentâneos e que pretende honrar seus compromissos com os participantes de SCP a partir de 12 de fevereiro.
Debate sobre risco e transparência
Apesar do posicionamento da empresa, investidores afirmam que seguem sem receber os valores e relatam insegurança diante da ausência de prazos efetivos para normalização dos pagamentos.
O caso reacende o debate sobre a compreensão dos riscos envolvidos em estruturas jurídicas como as SCPs e a importância de transparência, comunicação clara e alinhamento de expectativas entre empresas e investidores, especialmente em produtos que não contam com proteção regulatória nem garantias institucionais.













