A greve na Caixa Econômica Federal continua nesta quarta-feira (16), enquanto representantes do banco e dos empregados retomam as negociações para tentar chegar a um acordo e encerrar a paralisação iniciada em 10 de setembro.
O principal ponto de divergência continua sendo o Saúde Caixa, plano de assistência médica dos funcionários da instituição.
Os trabalhadores rejeitaram a proposta anterior apresentada pelo banco e decidiram manter a paralisação por tempo indeterminado. Na base do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, 68% dos participantes votaram contra a oferta apresentada pela Caixa.
Nesta quarta, as partes voltaram à mesa de negociação. Até a atualização mais recente, porém, a greve permanecia em andamento.
O que a Caixa ofereceu aos funcionários?
A proposta rejeitada pelos trabalhadores reunia mudanças salariais, benefícios e alterações na estrutura do Saúde Caixa.
Entre os pontos apresentados estava um prêmio de R$ 3 mil por empregado. O banco também propôs o pagamento, em 18 de setembro, do salário reajustado, da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), do Super Caixa e do prêmio.
Na parte relacionada ao plano de saúde, a Caixa propôs elevar de 6,5% para 8% o limite de sua participação no custeio do Saúde Caixa.
O banco também ofereceu antecipar sua parcela referente à 13ª mensalidade dos anos de 2028, 2029 e 2030, além de prever R$ 236 milhões em ações de prevenção à saúde a partir de janeiro de 2027.
A proposta ainda incluía a criação de grupos de trabalho para discutir alternativas de financiamento e medidas de eficiência para o plano.
Por que o Saúde Caixa virou o principal impasse?
As maiores divergências estão relacionadas ao custo do plano para os funcionários e seus dependentes.
A proposta previa contribuições equivalentes a 2,3% a 4,1% do salário-base dos empregados, conforme a faixa etária.
Para os dependentes, a cobrança ficaria entre R$ 480 e R$ 660, também de acordo com a idade.
O banco propôs ainda aumentar o teto anual de coparticipação de R$ 3,6 mil para R$ 4,8 mil por grupo familiar e cobrar 13 mensalidades ao ano.
Outra mudança envolvia as consultas em pronto-socorro. O valor previsto passaria de R$ 75 para R$ 150, fora do limite de coparticipação.
O conjunto dessas alterações levou os trabalhadores a rejeitarem a proposta e manterem a paralisação.
Quais serviços são afetados pela greve?
A paralisação pode afetar principalmente o atendimento presencial em agências onde os funcionários aderiram ao movimento.
A Caixa orienta os clientes a utilizar os canais digitais e alternativos enquanto durar a greve.
Aplicativo Caixa, Caixa Tem, internet banking, WhatsApp, caixas eletrônicos, Banco24Horas, lotéricas e correspondentes Caixa Aqui continuam funcionando.
O atendimento telefônico também permanece disponível.
A instituição informou ainda que operações realizadas de maneira automatizada continuam normalmente.
Bolsa Família será afetado?
A Caixa informou que os pagamentos do Bolsa Família não serão interrompidos pela greve.
O calendário de setembro começa nesta quinta-feira (17), com pagamento aos beneficiários com NIS terminado em 1. Os depósitos seguem até 30 de setembro.
Segundo o banco, a maior parte dos benefícios é depositada diretamente em conta, permitindo movimentação por meio do Caixa Tem e de outros aplicativos.
O dinheiro também pode ser utilizado por Pix, pagamento de contas, boletos, cartão de débito e saques em terminais de autoatendimento, lotéricas e correspondentes Caixa Aqui.
O que acontece agora?
A retomada das negociações nesta quarta-feira abre uma nova tentativa de acordo entre a Caixa e os funcionários.
Até que uma nova proposta seja apresentada e aprovada pelas assembleias da categoria, porém, a greve continua.
O Saúde Caixa permanece no centro da discussão, e um eventual encerramento da paralisação dependerá principalmente de um consenso sobre o financiamento e as condições do plano de saúde.
