As vendas do comércio varejista brasileiro recuaram 0,8% em julho na comparação com junho, já descontados os efeitos sazonais, segundo dados divulgados nesta terça-feira (15) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado veio abaixo das expectativas do mercado.
Na comparação com julho de 2025, as vendas cresceram 1,2%. No acumulado de 2026, o setor registra avanço de 1,8%, enquanto a alta em 12 meses ficou em 1,6%.
O dado é divulgado no primeiro dia da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que decide nesta quarta-feira (16) o novo patamar da taxa Selic.
Quais setores puxaram a queda do varejo?
A retração de julho foi disseminada por boa parte das atividades pesquisadas pelo IBGE. Cinco dos oito segmentos que compõem o comércio varejista apresentaram queda na passagem de junho para julho.
O maior recuo ocorreu em móveis e eletrodomésticos, com baixa de 4,9%.
Na sequência apareceram:
- livros, jornais, revistas e papelaria: -4,2%;
- tecidos, vestuário e calçados: -2,7%;
- outros artigos de uso pessoal e doméstico: -2,2%;
- hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo: -0,2%.
A média móvel trimestral do comércio varejista apresentou variação negativa de 0,1%.
O resultado mostra uma reversão em relação a junho, quando o volume de vendas havia crescido 0,5% frente a maio. Naquele mês, o avanço interanual havia sido de 2,9%.
Como ficou o varejo ampliado?
Enquanto o varejo restrito perdeu força, o comércio varejista ampliado apresentou crescimento de 0,4% em julho frente ao mês anterior.
O indicador ampliado inclui, além das atividades tradicionais do varejo, os segmentos de veículos, motos, partes e peças, material de construção e atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo.
O avanço ocorreu depois de uma retração registrada em junho, indicando uma recuperação parcial das atividades incluídas no conceito ampliado.
Entre os destaques, o segmento de veículos e motos voltou a apresentar crescimento após resultados negativos anteriores.
Queda do varejo atingiu quantos estados?
O recuo das vendas também teve alcance regional.
Segundo os dados divulgados nesta terça-feira, 20 das 27 unidades da Federação registraram queda no volume de vendas na comparação com junho.
As maiores retrações foram verificadas no Amapá e em Tocantins, ambos com queda de 2,5%. Mato Grosso apareceu em seguida, com baixa de 2,2%.
O desempenho regional reforça a predominância de resultados negativos observada também entre as atividades do comércio.
O que o dado do varejo significa para o Copom?
A Pesquisa Mensal de Comércio é divulgada no momento em que o Banco Central inicia uma nova reunião para definir a taxa básica de juros.
O Copom se reúne nesta terça e quarta-feira, dias 15 e 16 de setembro. A Selic está atualmente em 14% ao ano.
Na semana passada, dados das Opções de Copom negociadas na B3 indicavam cerca de 95% de probabilidade de corte de 0,25 ponto percentual, cenário que levaria a taxa para 13,75% ao ano.
O comportamento da atividade econômica é um dos elementos observados pelo Banco Central na definição da política monetária. A queda de 0,8% nas vendas do varejo se soma a outros indicadores utilizados para avaliar o ritmo do consumo e seus possíveis efeitos sobre inflação e demanda.
A decisão do Copom será anunciada nesta quarta-feira.
