A última semana antes do primeiro turno reúne novas pesquisas, debate entre Lula e Flávio Bolsonaro e dados de emprego, inflação e contas públicas. A concentração desses eventos deve elevar a volatilidade dos ativos brasileiros.
A última semana antes do primeiro turno das eleições de 2026 deve elevar a volatilidade no Brasil. Entre 28 de setembro e 4 de outubro, o mercado acompanhará novas pesquisas, debate entre Lula e Flávio Bolsonaro e uma agenda concentrada de emprego, inflação, crédito, setor externo e contas públicas.
O primeiro turno ocorrerá em 4 de outubro, com votação das 8h às 17h pelo horário de Brasília, conforme o calendário eleitoral do Tribunal Superior Eleitoral e a Resolução TSE nº 23.751/2026. Se necessário, o segundo turno será em 25 de outubro.
Por que a reta final pode aumentar a volatilidade?
A disputa apertada amplia a sensibilidade dos preços a pesquisas, declarações dos candidatos e sinais sobre a condução futura da política econômica. O mercado de opções de câmbio já incorporava a janela eleitoral e mudanças nas probabilidades atribuídas pelos operadores aos possíveis resultados.
A concentração de indicadores econômicos acrescenta outra fonte de oscilação. Em três dias, serão divulgados dados capazes de atualizar a leitura sobre atividade, mercado de trabalho, inflação, crédito e situação fiscal.
Dólar, Bolsa e juros podem reagir tanto à eleição quanto aos números da economia. Essa reação, porém, não precisa ocorrer na mesma direção nem com a mesma intensidade em todos os ativos.
O que as pesquisas mostram antes do primeiro turno?
Pesquisa Datafolha realizada em 22 e 23 de setembro apontou Lula com 40% e Flávio Bolsonaro com 36% no cenário de primeiro turno. Em uma simulação de segundo turno, os percentuais foram de 47% e 45%, respectivamente, diferença dentro da margem de erro. O levantamento foi registrado no TSE sob o código BR-00304/2026.
Outro levantamento, da AtlasIntel, mostrou 47,7% para Lula e 47,4% para Flávio Bolsonaro em um cenário de segundo turno, caracterizando empate técnico.
Novas pesquisas e o debate entre Lula e Flávio Bolsonaro, previsto para a última semana da campanha, podem alterar a percepção dos agentes sobre a disputa. A proximidade dos percentuais ajuda a explicar por que cada atualização tende a produzir ajustes mais rápidos nas expectativas.
Quais dados econômicos saem nesta semana?
A agenda oficial concentra divulgações entre segunda e quarta-feira. Os horários e as datas podem ser acompanhados nos calendários do Banco Central, do IBGE, do Ministério do Trabalho e Emprego e da FGV IBRE.
| Data | Principais divulgações |
|---|---|
| 28 de setembro | Estatísticas do setor externo às 11h30 e de mercado aberto às 17h30 |
| 29 de setembro | PNAD Contínua de agosto, estatísticas monetárias e de crédito às 11h30 e IGP-M de setembro |
| 30 de setembro | Índice de Preços ao Produtor de agosto, Novo Caged de agosto e estatísticas fiscais às 11h30 |
A sequência permite que o mercado atualize, em um intervalo curto, a avaliação sobre as contas externas, a oferta de crédito, o mercado de trabalho, a trajetória dos preços e o endividamento público.
O que emprego, inflação e contas públicas podem sinalizar?
O resultado de agosto do Novo Caged terá como comparação imediata o saldo de 58.568 empregos formais registrado em julho. Naquele mês, o país alcançou 48,08 milhões de vínculos e acumulou a criação de 972.203 postos formais entre janeiro e julho, segundo os dados do Ministério do Trabalho.
Na inflação, o IPCA-15 avançou 0,70% em setembro, depois de cair 0,40% em agosto. O IPCA de agosto recuou 0,32% e acumulou alta de 4,22% em 12 meses, conforme a série de preços do IBGE.
Na área fiscal, o Governo Central registrou superávit primário de R$ 10,8 bilhões em julho e déficit acumulado de R$ 81,3 bilhões de janeiro a julho, de acordo com o balanço do Tesouro Nacional. As estatísticas do Banco Central têm abrangência diferente e incluem o setor público consolidado e a dívida bruta do governo geral.
O que a volatilidade não diz ao investidor?
A expectativa de maior volatilidade não determina a direção futura do dólar, da Bolsa ou dos juros. Ela indica maior possibilidade de oscilações conforme pesquisas, debate e indicadores alterem as probabilidades consideradas pelos participantes do mercado.
Também é necessário separar indicadores que medem fenômenos diferentes. A PNAD Contínua oferece uma visão mais ampla do mercado de trabalho, enquanto o Novo Caged acompanha vínculos formais celetistas. Um saldo positivo do Caged, isoladamente, não define o comportamento da taxa de desemprego.
A mesma cautela vale para as contas públicas. O resultado do Governo Central não pode ser comparado diretamente ao resultado do setor público consolidado sem considerar as diferenças de abrangência.
Como acompanhar a agenda até 4 de outubro?
O acompanhamento pode ser organizado em três blocos: pesquisas e debate eleitoral, divulgações econômicas entre 28 e 30 de setembro e votação em 4 de outubro. Em cada indicador, a leitura deve considerar o período de referência, a abrangência e a comparação anterior.
Para evitar conclusões apressadas, o leitor deve distinguir aumento de volatilidade de uma tendência definida para os ativos. Nos dados de emprego e contas públicas, também deve comparar séries produzidas com a mesma metodologia e cobertura.
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.
