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Tarifa de 40%: Brasil recupera espaço nos EUA, mas pressão global limita o efeito

Redação BM&C News Por Redação BM&C News
21/11/2025
Em ECONOMIA

A retirada da tarifa de até 40% sobre café, carnes e itens industriais recoloca o Brasil em uma posição mais competitiva no mercado americano, mas o impacto econômico deve ser gradual. A medida melhora margens de exportadores específicos e reabre o diálogo entre Brasília e Washington, porém seu efeito amplo dependerá de câmbio, logística e do comportamento do comércio global. “A decisão exige cautela: embora positiva, o impacto agregado será gradual e condicionado à execução exportadora, ao câmbio e à competição internacional”, afirma Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos.

O gesto dos EUA abre uma janela relevante: ao remover barreiras para produtos estratégicos, Washington sinaliza disposição para renegociar outras tarifas ainda em discussão. Para o Brasil, é chance de reconquistar espaço em cadeias produtivas americanas que exigem custo competitivo e previsibilidade regulatória — fatores essenciais para proteína animal, café e componentes industriais.

Reação imediata é positiva, mas efeitos se espalham no médio prazo

Segundo Volnei Eyng, CEO da Multiplike, a decisão cria oportunidade para ampliar acordos comerciais. “O Brasil pode usar esse movimento para negociar a eliminação de tarifas em outros produtos. O efeito imediato é concentrado nos exportadores, mas, com o tempo, mais dólares entram no país e o impacto se dissemina. Para o investidor, é um sinal de oportunidade, especialmente para empresas do agronegócio e da indústria exportadora.”

A flexibilização tarifária também reposiciona cadeias logísticas e renegocia prazos de financiamento. “Quando cadeias como alimentos e insumos industriais recuperam competitividade, o reflexo cai direto sobre capital de giro e prazos de recebíveis”, explica Gustavo Assis, CEO da Asset Bank. Ele ressalta que o mercado de crédito estruturado é o primeiro a reagir, já que exportadores tendem a buscar FIDCs para travar fluxo de caixa no momento em que margens melhoram.

Pressão global ainda limita a aceleração do comércio

Para Richard Ionescu, CEO do Grupo IOX, a retirada da tarifa reorganiza custos e reabre rotas comerciais, mas o ambiente internacional segue desafiador. “As cadeias se integram novamente quando o custo tributário cai, mas a ampliação da escala depende de logística eficiente e de estabilidade cambial. Nesse cenário, crédito corporativo sob medida e FIDCs ganham relevância para sustentar capital de giro de exportadores em expansão.”

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Na mesma linha, Pedro Da Matta, CEO da Audax Capital, destaca que os ganhos aparecem primeiro na redução de volatilidade e na recomposição de margens. “A reversão da tarifa facilita negociações futuras e reduz o risco de represálias. O impacto inicial é sobre preços e margens; depois, sobre confiança e fluxo de capital. A demanda por estruturas de crédito tende a crescer.”

Ambiente de negócios ganha previsibilidade — e isso vale mais que o ganho imediato

Para o ecossistema de inovação e venture capital, o maior efeito está na previsibilidade. Antonio Patrus, diretor da Bossa Invest, afirma que a decisão “retira incertezas que travavam a internacionalização de startups”. Ele destaca setores de agro, clima, supply chain e logística como os principais beneficiados. “Com mais clareza regulatória, founders conseguem projetar expansão para os EUA com menor risco geopolítico.”

Gabriel Padula, CEO do Grupo Everblue, reforça o mesmo ponto: “O alívio tarifário reduz o risco-país e melhora o ambiente de negociação. Exportadores tendem a buscar operações de crédito estruturado com inteligência de dados, porque a previsibilidade aumenta a necessidade de travar financiamento e ampliar capacidade produtiva.”

Brasil recupera margem de negociação, mas competitividade continuará sendo o divisor de águas

O corte tarifário melhora o ambiente diplomático e recoloca o Brasil no radar de cadeias industriais e agrícolas dos EUA. Para João Kepler, CEO da Equity Group, o movimento “remove um entrave que pressionava custos e travava a expansão internacional de vários setores”. Ele observa que startups de logística, agro e energia se beneficiam diretamente da abertura. “Para o investidor, é redução de ruído e ampliação de confiança em negócios escaláveis e prontos para competir fora.”

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